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quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Atividade de Extensão Unicesumar "Túnel do Tempo: Relembrando histórias do seu bairro. Histórias que construíram Álvares Machado: Memórias do Parque dos Pinheiros e Jardim Panorama"

Avenida Castro Alves
Avenida Castro Alves - Entre Panorama e Parque dos Pinheiros


RESUMO

Este artigo apresenta um levantamento histórico e cultural sobre a formação e o desenvolvimento dos bairros Parque dos Pinheiros I, Parque dos Pinheiros II e Jardim Panorama, localizados no município de Álvares Machado, interior do Estado de São Paulo. A pesquisa foi desenvolvida por meio de entrevistas com moradores antigos, pioneiros, comerciantes e pessoas que acompanharam diferentes períodos de transformação da comunidade, além da análise de fotografias, documentos públicos, registros legislativos e referências acadêmicas. O trabalho recupera a origem dos loteamentos, as dificuldades enfrentadas pelas primeiras famílias, a ausência de infraestrutura, as conquistas relacionadas ao abastecimento de água, energia elétrica, saneamento, transporte, educação, saúde e pavimentação. Também registra a importância do comércio, das instituições religiosas, dos projetos culturais e da participação comunitária. O Jardim Panorama recebe atenção especial pela história de sua ocupação, pela antiga área conhecida como Área Verde e pelas mudanças ocorridas em sua paisagem. O Parque dos Pinheiros, por sua vez, é apresentado a partir de sua formação, expansão territorial, organização comunitária e consolidação como importante núcleo residencial de Álvares Machado. A pesquisa procura preservar a memória coletiva e transmitir às novas gerações as experiências de quem participou diretamente dessa trajetória.

Palavras-chave: Memória coletiva. História local. Parque dos Pinheiros. Jardim Panorama. Álvares Machado. Patrimônio cultural.


INTRODUÇÃO

Uma comunidade não é construída apenas por ruas, casas, prédios ou obras públicas. Sua história também é formada pelas pessoas que chegaram primeiro, pelas famílias que estabeleceram suas moradias, pelos comerciantes que iniciaram pequenos negócios, pelos professores que contribuíram para a educação e por todos aqueles que, de alguma maneira, participaram de sua transformação.

É a partir dessa compreensão que se desenvolve o projeto extensionista Túnel do Tempo: Relembrando Histórias do Seu Bairro, realizado pela Unicesumar, Polo Presidente Prudente, com o propósito de registrar e compartilhar a história dos bairros Parque dos Pinheiros I, Parque dos Pinheiros II e Jardim Panorama, pertencentes ao município de Álvares Machado.

A pesquisa surgiu da necessidade de preservar informações que, muitas vezes, permanecem apenas na memória dos moradores mais antigos. São histórias sobre um período em que as ruas ainda eram de terra, havia poucas residências, o transporte coletivo apresentava dificuldades e as famílias precisavam encontrar soluções próprias para necessidades básicas, como o abastecimento de água.

Ao longo do levantamento, foram realizadas entrevistas com moradores e pessoas diretamente relacionadas à história dos bairros. Entre os participantes estão Antônio Coisse, José Lopes, Epaminondas Duarte Lima Neto, conhecido como Neto, Mauro, Clóvis, Maria de Lourdes dos Anjos, Dona Maria, Renato Mizobe e Odair, além de outros colaboradores que contribuíram com fotografias, documentos e informações.

O trabalho também reuniu registros da Prefeitura Municipal, da Câmara Municipal de Álvares Machado, informações legislativas, fotografias antigas e atuais e referências acadêmicas, especialmente os estudos de Vitor Koiti Miyazaki sobre a aglomeração urbana entre Álvares Machado, Presidente Prudente e Regente Feijó.

Inicialmente, a proposta previa a coleta de depoimentos e a divulgação das informações em canais de comunicação. Entretanto, diante da quantidade de histórias e documentos encontrados, o projeto foi ampliado para a produção de um videodocumentário, complementado por este artigo.

É importante esclarecer que esta pesquisa não pretende esgotar todos os acontecimentos históricos dos bairros, tampouco substituir um estudo historiográfico aprofundado. Seu objetivo é organizar os registros disponíveis, preservar as memórias e apresentar à comunidade uma narrativa fundamentada nas fontes consultadas.

Assista ao Videocumenário disponível no Youtube:
 "Túnel do Tempo: Relembrando histórias do seu bairro. Histórias que construíram Álvares Machado: Memórias do Parque dos Pinheiros e Jardim Panorama"



CONTEXTO HISTÓRICO DE ÁLVARES MACHADO E A FORMAÇÃO DA REGIÃO

Para compreender a formação do Parque dos Pinheiros e do Jardim Panorama, é necessário considerar o processo de desenvolvimento de Álvares Machado e sua relação com Presidente Prudente.

A história do município está relacionada à expansão da ocupação territorial no Oeste Paulista, à agricultura, à chegada de imigrantes e à implantação de importantes vias de circulação.


A Estrada de Ferro Sorocabana teve papel significativo nesse processo. Conforme os relatos reunidos, a ferrovia possibilitava o transporte de passageiros e mercadorias, incluindo café, madeira e animais, além de conectar a região a outros centros urbanos.

O senhor Antônio Negri, que chegou ainda bebê à região, por volta de 1941, recordou que, durante sua infância, era necessário caminhar por longas distâncias para estudar na cidade. Seu relato também recupera a presença de antigas empresas compradoras de café e o movimento proporcionado pela ferrovia.

As lembranças de Dona Maria ajudam a ampliar esse contexto. Ela descreveu uma infância marcada pela vida rural, pela convivência familiar e pelo trabalho no sítio dos avós.

A família, de origem italiana, cultivava café, plantava alimentos, cuidava dos animais, produzia parte do próprio sustento e utilizava água de minas e poços. A iluminação era feita por lampiões a querosene, e muitas necessidades eram resolvidas dentro da própria propriedade.

Dona Maria também guarda entre suas lembranças uma recordação que atravessou o tempo e o oceano.

Depois de visitar parentes na Itália, seu primo, Oronzo Fleury Costa, enviou-lhe uma carta como lembrança da viagem.

A mensagem, originalmente escrita em italiano, foi traduzida e dizia:

“Cara amiga minha, Tite família, uma recordação da minha viagem a Mali, com amor a você e toda a sua família. Mali, Itália, março de 2013. Oronzo Costa.”

Mais do que uma simples carta, aquela mensagem se tornou uma lembrança dos laços familiares que continuaram presentes mesmo à distância, ligando a história de Dona Maria às suas raízes italianas.

Dona Maria também recordou as dificuldades de deslocamento para atendimento médico, relatando que, quando nasceu, foi necessário recorrer ao único táxi que havia na cidade, pertencente ao senhor conhecido como Pascolão.

Essas lembranças demonstram como a região passou por transformações profundas entre uma realidade predominantemente rural e a expansão dos espaços urbanos.

A presença de famílias italianas e japonesas também integra essa história. A imigração contribuiu para a formação econômica, cultural e social de Álvares Machado, deixando marcas no comércio, na agricultura, nas tradições familiares e nas instituições da cidade.

O depoimento de Renato Mizobe acrescenta outro elemento importante: a história da fotografia em Álvares Machado. Sua família manteve uma trajetória ligada à atividade fotográfica, iniciada pela geração de seus avós e continuada por sua mãe, que trabalhou durante décadas registrando casamentos, aniversários e acontecimentos familiares.

A antiga fotografia em preto e branco, os equipamentos de filme e os processos de revelação representam não apenas a evolução tecnológica, mas também uma forma de preservar a memória das famílias machadenses.


A história da família Mizobe também faz parte das memórias que ajudaram a construir a identidade de Álvares Machado.

Renato Mizobe é filho de uma família ligada à fotografia. Em seu depoimento, ele conta que sua mãe, natural de Anastácio, mudou-se para Álvares Machado depois de se casar e deu continuidade à atividade fotográfica que já fazia parte da família.

Segundo Renato, a história da fotografia começou ainda com seu avô, que mantinha um estúdio em Anastácio. Depois, sua mãe continuou esse trabalho em Álvares Machado, onde permaneceu por décadas.

Renato também relata que seu pai era descendente de japoneses e veio para o Brasil ainda com um ano de idade, acompanhado da avó. Seu pai era natural de Bastos e, posteriormente, conheceu sua mãe em Anastácio. Depois do casamento, os dois vieram morar em Álvares Machado.

A família passou por diferentes atividades ao longo dos anos. O pai de Renato trabalhou na Cotia e, depois, passou a se dedicar ao cultivo de frutas, café e uva italiana, comercializando sua produção.

Na fotografia, Renato acompanhou a mãe desde cedo. Ele conta que, inicialmente, ela trabalhava sozinha, registrando casamentos, aniversários e outros acontecimentos. Mais tarde, os filhos começaram a ajudá-la.

Em 2007, depois de retornar do Japão, Renato assumiu a atividade fotográfica a pedido de sua mãe. Quando ela chegou aos 85 anos, pediu que ele assumisse definitivamente o estúdio.

Seu Antônio também relembra a presença da família Mizobe na cidade e menciona Izabel Mizobe, destacando que o comércio de fotografia existia naquela época e que Renato deu continuidade à atividade.

A história dos Mizobe, portanto, ultrapassa a fotografia. Ela reúne imigração, família, trabalho e memória, mostrando como uma atividade iniciada por uma geração foi sendo transmitida para a seguinte e permaneceu ligada à história de Álvares Machado.



A ORIGEM DOS LOTEAMENTOS PARQUE DOS PINHEIROS E JARDIM PANORAMA

Um dos pontos centrais desta pesquisa foi compreender como surgiram os bairros Parque dos Pinheiros I, Parque dos Pinheiros II e Jardim Panorama.

O crescimento dos bairros Jardim Panorama e Parque dos Pinheiros I e II foi acompanhado por desafios relacionados à infraestrutura e ao acesso aos serviços públicos. Conforme registrado no documento História Machado, a formação dessas comunidades concentrou um grande número de moradores em áreas que não dispunham de infraestrutura física e redes de serviços adequadas. O documento destaca:

“A formação dos bairros Jardim Panorama e Parque dos Pinheiros I e II alojou um grande contingente populacional em uma área sem infraestrutura física e redes de serviços adequadas. Por isso, durante muito tempo, os moradores ficaram sem os serviços necessários e distantes dos locais onde poderiam acessá-los. Essa situação vem sendo gradualmente sanada.”

Esse registro evidencia que, ao longo do tempo, foram sendo implantadas melhorias para enfrentar as dificuldades existentes e atender às necessidades da população, contribuindo para a transformação da realidade desses bairros.

Fonte: Prefeitura Municipal de Álvares Machado — registro histórico disponível no documento História Machado, publicado no site da Câmara Municipal de Álvares Machado com arquivo PDF disponivel para baixar em: https://www.alvaresmachado.sp.leg.br/institucional/a-cidade/historia-machado.pdf/at_download/file e demais infomações diponíveis em: https://www.alvaresmachado.sp.leg.br/institucional/a-cidade/historia




O depoimento de Antônio Coissi, ligado diretamente à implantação dos loteamentos, foi fundamental para esclarecer essa questão.

Segundo ele, a família adquiriu uma área de terras em 1975. Posteriormente, em 1978, iniciou-se a articulação para implantação de um grande empreendimento imobiliário, envolvendo aproximadamente 25 alqueires pertencentes à família e outros 30 alqueires de uma propriedade vizinha.



A proposta inicial estava vinculada à incorporadora Iorque, que reuniu diferentes áreas em um único projeto. Entretanto, dificuldades comerciais e administrativas impediram a continuidade do empreendimento nos moldes inicialmente planejados.

Diante da situação, os responsáveis precisaram assumir compromissos já estabelecidos com compradores. Assim, ocorreram desdobramentos empresariais: Pedro Dib passou a atuar por meio da incorporadora Arco Verde, enquanto a família Coissi deu continuidade à sua parte por meio da incorporadora São José.


Conforme o entrevistado, a incorporadora São José ficou responsável pelo desenvolvimento do Parque dos Pinheiros I e II, enquanto o Jardim Panorama teve continuidade vinculada à Arco Verde.

Os depoimentos também recuperam uma denominação anterior, identificada como Nova York ou Vila Nova Iorque. Essa denominação aparece nas lembranças de moradores e nos relatos sobre a origem do empreendimento.

Posteriormente, os loteamentos passaram a receber as denominações pelas quais são conhecidos atualmente.

A escolha dos nomes também foi esclarecida durante a entrevista com Antônio Cuisse. Segundo ele, a denominação Parque dos Pinheiros foi escolhida de maneira sugestiva, inspirada na presença de árvores e de uma vegetação expressiva na região. Não existia, necessariamente, um plantio de pinheiros que justificasse literalmente o nome. Já a denominação Panorama foi relacionada à vista panorâmica existente na área.

Essa informação é importante porque permite registrar a origem dos nomes a partir de quem participou diretamente do processo de implantação dos loteamentos.

Embora administrativamente pertençam a Álvares Machado, os bairros Parque dos Pinheiros e Jardim Panorama possuem uma relação geográfica e cotidiana muito próxima de Presidente Prudente.

Essa proximidade influenciou diretamente o desenvolvimento da região. Os moradores passaram a utilizar os serviços, os estabelecimentos comerciais, as oportunidades de trabalho, as instituições de saúde e outros equipamentos disponíveis em Presidente Prudente.

O desenvolvimento de vias como a Estrada da Amizade, a Avenida Juscelino Kubitschek e outras ligações regionais contribuiu para aproximar os bairros dos municípios vizinhos.

A pesquisa acadêmica de Vitor Koiti Miyazaki, defendida na UNESP em 2008, também contribui para compreender a integração urbana entre Álvares Machado e Presidente Prudente, analisando os deslocamentos e as relações estabelecidas entre esses municípios.

A pesquisa acadêmica de Vitor Koiti Miyazaki, defendida na UNESP em 2008, está disponível no link: https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/55c06211-5adc-4deb-85e3-27790b5308a4/content

Imagem Aérea da Estrada KM 44 com vista do Bairro Parque dos Pinheiros e Presidente Prudente-SP


Assim, os bairros desenvolveram uma identidade própria, mantendo simultaneamente vínculos com Álvares Machado e com a cidade de Presidente Prudente.


OS PRIMEIROS MORADORES E AS DIFICULDADES DO INÍCIO

A implantação dos loteamentos representou uma oportunidade de aquisição de terrenos para famílias que procuravam construir suas próprias moradias. Entretanto, a chegada das primeiras famílias não foi acompanhada imediatamente pela instalação de toda a infraestrutura necessária.

Os relatos indicam que havia poucas casas, muitos terrenos vazios, ruas de terra e grandes áreas de vegetação.

Antônio Coissi recordou que, quando o empreendimento começou a ganhar forma, existiam aproximadamente 120 a 130 residências, número pequeno diante da quantidade de lotes disponíveis. O crescimento ocorreu gradualmente, com a chegada de famílias que construíram suas casas e passaram a formar uma comunidade.

José Lopes, que se mudou para o Jardim Panorama em 12 de janeiro de 1980, relatou que encontrou uma realidade ainda bastante diferente da atual.

Sua entrevista recupera um período em que os moradores precisavam organizar a própria infraestrutura doméstica, especialmente em relação à água e ao saneamento.

O morador também preserva um objeto que se tornou um importante registro material dessa época: um sarilho utilizado na perfuração de um poço construído em 1987.

Esse instrumento, confeccionado por ele próprio em madeira de peroba, permanece guardado como lembrança de um período em que o acesso à água dependia do esforço individual de cada família.


A ÁGUA, A ENERGIA ELÉTRICA E O SANEAMENTO

Entre os problemas mais recorrentes nos primeiros anos dos bairros estavam a falta de abastecimento regular de água, a ausência de rede de esgoto e as limitações da infraestrutura elétrica.

As famílias precisavam construir poços nos próprios terrenos e utilizar fossas para atender às necessidades domésticas.

José Lopes explicou que o poço construído em 1987 foi utilizado para abastecer sua residência e permitir a construção da casa.

Segundo seu relato, outros moradores também precisavam perfurar seus próprios poços. Em alguns momentos, enquanto um vizinho ainda não possuía abastecimento próprio, era possível utilizar a água de propriedades próximas.

O depoimento demonstra que a instalação de uma residência exigia muito mais do que a construção das paredes. Era necessário encontrar soluções para obter água, instalar banheiros, construir fossas e organizar o abastecimento doméstico.


Mauro, que chegou ao Parque dos Pinheiros em 1991 para trabalhar na escola, também recordou as dificuldades enfrentadas nesse período.

Para construir sua casa, precisava pagar um carroceiro para transportar água de uma região próxima à escola, utilizada na preparação do alicerce.

Segundo ele, aproximadamente um ano depois de sua chegada, a rede de abastecimento de água foi implantada, representando uma melhoria importante.

O desenvolvimento ocorreu em etapas. Primeiro, houve a expansão da energia elétrica; posteriormente, a chegada da água encanada e, em outro momento, a implantação da rede de esgoto.

A utilização de poços e fossas foi sendo abandonada conforme os serviços públicos se expandiram.

Clóvis também recordou os problemas relacionados à ausência de galerias pluviais. Em períodos de chuva, a água provocava erosões, desbarrancamentos e alagamentos em determinadas áreas.

Essas dificuldades demonstram que a infraestrutura não se desenvolveu de maneira imediata ou uniforme. Foi resultado de um processo gradual, marcado por reivindicações, investimentos e pela organização dos moradores.


O JARDIM PANORAMA E A HISTÓRIA DA ANTIGA ÁREA VERDE

Um dos capítulos mais importantes desta pesquisa está relacionado ao Jardim Panorama e à área atualmente conhecida pela população como Área Verde.

Os depoimentos e as fotografias antigas permitem recuperar uma realidade bastante diferente da paisagem encontrada atualmente.

Em uma fotografia registrada em 1985 por jovens moradores, identificados no verso da imagem, aparece uma área localizada nas proximidades da atual Área Verde.

O registro apresenta os seguintes nomes, da esquerda para a direita: Toninha, Cristina, Joaneta, Maria, Lourdes, Valdeir, Joel, Valdecir, Silvia, Lourdes, Vani e Samuel.

A imagem foi produzida a partir de um ponto da Rua Graça Aranha e permite identificar, ao fundo, a Rua Joaquim Nabuco e, à direita, a Avenida Castro Alves.

Naquela época, o local apresentava características predominantemente rurais, sendo utilizado como área de pastagem ou invernada.

Entretanto, os registros também revelam a existência de famílias que viviam em condições habitacionais precárias na região.

Mauro e outros entrevistados recordaram a existência de moradias improvisadas na região da Área Verde.

As casas eram construídas com madeira, zinco, pedaços de materiais reaproveitados e, em alguns casos, tijolos.

A precariedade das moradias estava associada à falta de infraestrutura e às condições ambientais do local.

Segundo os relatos, a área apresentava problemas de inundação e situações de risco sanitário, incluindo episódios de doenças como hepatite.

As condições também afetavam a vida das crianças, principalmente em relação à frequência e ao aproveitamento escolar.

É importante registrar que essas famílias fizeram parte da história da formação do bairro. A realidade habitacional daquele período não pode ser compreendida apenas pela paisagem ou pelas condições das construções, mas também pelas dificuldades sociais enfrentadas por seus moradores.

Os depoimentos relatam que, posteriormente, houve uma ação do poder público para retirar as famílias da área e transferi-las para moradias populares.

Segundo Mauro e outros moradores, as famílias foram cadastradas e receberam atendimento habitacional, sendo mencionada a construção de 72 casas destinadas a esse processo.

Epaminondas Duarte Lima Neto também recordou sua experiência pessoal, pois chegou a morar naquela ocupação em 1992. Ele descreveu a situação das moradias e as dificuldades vividas naquele período, além de mencionar a transferência das famílias para as novas casas.

As referências reunidas indicam que essas moradias passaram a ser conhecidas por alguns moradores como Cidade de Deus, embora essa denominação não tenha se consolidado como nome oficial do bairro.

Após a transferência das famílias, a área passou por um processo de regeneração da vegetação. As árvores que já existiam no local foram acompanhadas pelo crescimento natural da cobertura vegetal, resultando na paisagem arborizada que caracteriza a Área Verde atualmente.

A comparação entre a fotografia de 1985 e as imagens atuais permite observar uma transformação ambiental significativa.

Assim, a Área Verde representa duas dimensões da história do Jardim Panorama: a memória das famílias que viveram naquela região e a transformação de uma área anteriormente utilizada como pastagem e ocupação habitacional em um espaço de maior cobertura vegetal.

Preservar essa história significa reconhecer tanto a transformação ambiental quanto a trajetória das pessoas que fizeram parte daquele período.


A EDUCAÇÃO E A FORMAÇÃO DAS PRIMEIRAS ESCOLAS

A educação teve papel fundamental na consolidação dos bairros.

No início, as crianças precisavam se deslocar até outras regiões para estudar, pois ainda não existia uma estrutura escolar suficiente para atender a população.

Com o crescimento dos loteamentos, tornou-se necessário ampliar a oferta de ensino.

Os documentos municipais mencionados no documentário registram importantes etapas desse processo.

Em 26 de novembro de 1980, a Lei Municipal nº 1.278 autorizou a doação de uma área de cinco mil metros quadrados ao Estado de São Paulo, destinada à construção de um prédio escolar no Parque dos Pinheiros. 

Lei Municipal nº 1.278 de 26 de novembro de 1980 referente a autorização de doação de uma área de cinco mil metros quadrados ao Estado de São Paulo, destinada à construção de um prédio escolar no Parque dos Pinheiros. Disponível em: https://sapl.alvaresmachado.sp.leg.br/media/sapl/public/normajuridica/1980/1725/1278-80.pdf

Em 25 de fevereiro de 1981, a Lei Municipal nº 1.280 autorizou convênio com a Conesp para a construção de uma escola rural com duas salas de aula. 

Posteriormente, em 23 de dezembro de 1981, a Lei Municipal nº 1.306 voltou a tratar da construção de uma escola rural, mencionando quatro salas de aula.

A história da educação no Parque dos Pinheiros também passou por transformações. Em 1982, por meio do Decreto Estadual nº 18.635, foi criada a EEPG Panorama dos Pinheiros, unidade que marcou a trajetória educacional da região. 

Decreto Estadual 18.635 de 1982 referente a ciração da EEPG Panorama dos Pinheiros em: https://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/decreto/1982/decreto-18635-31.03.1982.html

Em 1992, a Lei Estadual nº 7.671 determinou sua mudança de denominação para Escola Estadual Marechal do Ar Márcio de Souza e Mello. Posteriormente, conforme a trajetória local relatada, a EMEIF Márcia Helena Fernandes de Araújo passou a ocupar o espaço onde funcionava a antiga Panorama dos Pinheiros, enquanto a escola estadual passou a funcionar em outro endereço.

Lei Estadual nº 7.671 de 1.992 referente a mudança de denominação para Escola Estadual Marechal do Ar Márcio de Souza e Mello. Disponível  em: https://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/lei/1992/lei-7671-10.01.1992.html

O depoimento de Mauro demonstra que a escola ultrapassava sua função educacional.

Quando chegou à região em 1991, encontrou uma realidade na qual a escola e a igreja eram os principais pontos de encontro dos moradores.

Segundo ele, a unidade escolar também concentrava atividades relacionadas ao atendimento de saúde, à distribuição de leite, ao serviço postal, à comunicação e ao atendimento policial. 


A abertura do espaço para a comunidade contribuía para fortalecer a convivência e preservar o patrimônio escolar. Com o passar dos anos, outras unidades educacionais foram implantadas, ampliando o atendimento às crianças e aos jovens.

Entre as instituições mencionadas estão a Escola Franco Montoro, a Marcia Helena, a unidade de educação infantil e a atual sede da Marechal do Ar.

A ampliação da rede escolar representou uma conquista importante para as famílias, reduzindo a necessidade de deslocamentos e fortalecendo a identidade dos bairros.


A criação da EMEF Governador André Franco Montoro

A EMEF Governador André Franco Montoro passou a integrar a estrutura educacional do Parque dos Pinheiros, ampliando as oportunidades de ensino para as crianças da comunidade. Sua criação foi oficializada pela Lei Municipal nº 2.178, de 29 de maio de 2000, sancionada pelo prefeito Luiz Takashi Katsutani. A legislação estabeleceu que a escola municipal ficaria localizada no Parque dos Pinheiros, com efeitos retroativos a 4 de janeiro de 1998. 


Além de sua função educacional, a Franco Montoro também se tornou um espaço importante para o desenvolvimento de atividades culturais no bairro. Conforme o depoimento de Odair, registrado no documentário, foi na escola que ocorreu parte da mobilização inicial de estudantes para a formação da fanfarra que posteriormente se transformaria na Banda Musical XI de Julho. A equipe visitou as salas de aula para apresentar o projeto e convidar crianças e adolescentes a participar das atividades musicais. Assim, a escola também contribuiu para aproximar os jovens da cultura, da música e da convivência comunitária.


A SAÚDE E A AMPLIAÇÃO DOS SERVIÇOS PÚBLICOS

A saúde também acompanhou o processo de crescimento populacional.

Um registro importante aparece na Lei Municipal nº 1.319, de 29 de setembro de 1982, que autorizou a celebração de convênio para a instalação de um posto de atendimento sanitário no Parque dos Pinheiros.

Nos relatos dos moradores, o atendimento inicial aparece associado a estruturas bastante simples, inclusive instalações de madeira.

Com o crescimento da população, surgiram novas demandas e a necessidade de ampliar os serviços.

Mauro recordou que o atendimento de saúde chegou a funcionar em espaços relacionados à escola e que, posteriormente, foram construídas unidades próprias.

O documentário também registra a implantação de postos de saúde no Parque dos Pinheiros e no Jardim Panorama, além de uma ampliação posterior dos serviços. 



Outro avanço importante foi a implantação de um dispensário municipal de medicamentos no Parque dos Pinheiros, inaugurado em setembro de 2022, com atendimento destinado também aos moradores do Jardim Panorama.

A estrutura representou uma ampliação do acesso aos medicamentos e uma forma de descentralizar os serviços de assistência farmacêutica.

Os moradores também destacaram a importância do asfalto para o atendimento de emergência. Antes da pavimentação, ambulâncias enfrentavam dificuldades para chegar às residências, especialmente em dias de chuva.

Com as melhorias nas vias, tornou-se possível ampliar o acesso dos veículos de emergência às casas.



O COMÉRCIO LOCAL E OS PRIMEIROS EMPREENDEDORES

A história do comércio é parte essencial da formação dos bairros.

Nos primeiros anos, a quantidade de estabelecimentos era muito pequena. Os moradores dependiam de poucos comerciantes para adquirir alimentos e produtos de necessidade diária.

Antonio Coisse recordou que, quando o empreendimento começou a ganhar ocupação, o comércio era extremamente reduzido. Ele próprio participou dessa fase, contribuindo para o atendimento das primeiras famílias.

Posteriormente, outros estabelecimentos surgiram, acompanhando o aumento da população.

O depoimento de Neto é especialmente significativo porque recupera a trajetória de um comerciante que acompanhou diferentes etapas do desenvolvimento local.

Ele chegou ao bairro em 1992 e iniciou sua atividade comercial com um açougue conhecido como Casa de Carnes Neto.

Segundo seu relato, naquela época os recursos eram limitados e o trabalho era realizado com equipamentos bastante simples.

Posteriormente, estabeleceu o Bar do Neto, que também passou a integrar a memória comercial da comunidade.

Com o tempo, o ponto foi destinado a outras atividades, e atualmente funciona no local um serviço de Pag Contas associado a um brechó, mantido por sua esposa.

Neto destacou a importância desse tipo de serviço para os moradores, especialmente idosos que dependem de transporte coletivo para realizar pagamentos e resolver questões bancárias em outras cidades.

Sua história representa a trajetória de pequenos empreendedores que começaram com poucos recursos e construíram suas atividades junto com o crescimento dos bairros.

Os depoimentos também mencionam comerciantes como Cido, Pedrinho, Santa Luzia, Souza, Laércio e Wagner.

Esses estabelecimentos contribuíram para atender as necessidades cotidianas das famílias.

Clóvis recordou as mudanças do Mercado Souza, que passou por diferentes pontos de funcionamento, acompanhando o desenvolvimento comercial da região.

Na etapa mais recente, os moradores passaram a contar com mercados maiores e uma variedade de estabelecimentos comerciais.

Também foram mencionados serviços de farmácia, alimentação, pequenos negócios e outras atividades que ampliaram a autonomia dos bairros.

O comércio, portanto, não representa apenas uma atividade econômica. Ele constitui parte da memória social, pois os estabelecimentos também funcionaram como pontos de encontro, convivência e relacionamento entre os moradores.

O crescimento dos bairros também pode ser percebido pela presença e pela expansão do comércio local. Atualmente, o Parque dos Pinheiros e o Jardim Panorama contam com estabelecimentos que fazem parte do cotidiano dos moradores e atendem às necessidades da comunidade.

Entre os mercados que atualmente funcionam nos bairros estão: 


1 - Mercado Souza



2 - Mercado Santa Luzia



3 - Mercado Pontual



4 - Mercado Panorama



5 - Mercado Milênio



6 - Mercado Mariano



7 - Mercado Gasques


A presença desses estabelecimentos mostra como, ao longo do tempo, o comércio acompanhou o desenvolvimento dos bairros, oferecendo aos moradores opções de compra mais próximas de suas casas e contribuindo para a dinâmica da vida comunitária.


A PROXIMIDADE COM PRESIDENTE PRUDENTE E A POSSIBILIDADE NO PASSADO DE MUDANÇA ADMINISTRATIVA DOS BAIRROS PARQUE DOS PINHEIROS E JARDIM PANORAMA

A proximidade com Presidente Prudente faz parte da história do Parque dos Pinheiros e do Jardim Panorama. Embora os dois bairros pertençam ao município de Álvares Machado, sua localização e as relações estabelecidas ao longo do tempo fizeram com que Presidente Prudente estivesse presente de diferentes maneiras na vida dessas comunidades.

Essa proximidade também foi analisada pelo pesquisador Vitor Koiti Miyazaki, em sua pesquisa de Geografia desenvolvida na Universidade Estadual Paulista. Ao estudar a expansão urbana e a relação entre Álvares Machado e Presidente Prudente, o autor aponta que o Parque dos Pinheiros e o Jardim Panorama, mesmo localizados em Álvares Machado, mantinham fortes vínculos com Presidente Prudente devido à maior proximidade e facilidade de acesso. 

A pesquisa mostra ainda um aspecto interessante dessa relação. Segundo levantamento citado por Miyazaki, quase 50% dos moradores do Jardim Panorama e do Parque dos Pinheiros votavam em Presidente Prudente. Durante seu próprio levantamento de campo, realizado em 2007, Miyazaki também registrou a presença de muros e paredes com propagandas de políticos dos dois municípios.

Uma das imagens apresenta uma parede no Jardim Panorama com propaganda de candidatos de Álvares Machado e de Presidente Prudente. Outra registra, no Parque dos Pinheiros, a propaganda de um candidato de Presidente Prudente.

A pesquisa acadêmica de Vitor Koiti Miyazaki, defendida na UNESP em 2008, está disponível no link: https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/55c06211-5adc-4deb-85e3-27790b5308a4/content


Esse registro ganha ainda mais significado quando relacionado às fotografias utilizadas neste documentário. Entre as fotografias cedidas por Mauro Rigonato, há uma imagem de um muro com referências a políticos de Presidente Prudente. Em uma dessas fotografias, é possível observar ao fundo da paisagem o nome Telmo Guerra, identificado nas pesquisas realizadas para este trabalho como político de Presidente Prudente. A fotografia, originalmente utilizada para registrar as condições de uma rua ainda sem pavimentação, acabou preservando também essa referência política presente na paisagem dos bairros.

A pesquisa sobre politico Telmo Guerra de Presidente Prudente, disponível no link: https://www.estadao.com.br/politica/eleicoes/2024/candidatos-sp/presidente-prudente/vereador/telmo-guerra-55600/?srsltid=AYCX9vKN4Gunm7ELHUrgMbN66Oppa5njijnfJjfqYtxs9XiY31ZDlRSE

A influência de Presidente Prudente, portanto, não aparecia apenas nas relações de circulação ou no acesso aos serviços. Ela também podia ser percebida na própria paisagem, nas relações políticas e na forma como os moradores vivenciavam a proximidade entre as duas cidades.

E essa relação chegou, no passado, a provocar uma discussão sobre a própria administração dos bairros.

Nos relatos dos moradores, aparece a lembrança de que chegou a ser discutida a possibilidade de o Parque dos Pinheiros e o Jardim Panorama passarem para a administração de Presidente Prudente. Seu Antônio recorda que a notícia chegou aos moradores por terceiros e que a questão envolvia as benfeitorias realizadas por Álvares Machado. Segundo seu relato: “De que Álvares Machado aceitaria se a Prefeitura de Prudente pagasse as benfeitorias que Álvares Machado fez.”

A discussão também é lembrada por Mauro Rigonato, que participou das memórias registradas para este documentário. Ele relata que o assunto chegou a ser
discutido em reuniões realizadas na escola: “É verdade, inclusive tinha reuniões na escola sobre esse assunto, vinham deputados, autoridades de Machado, vereador, prefeito, tudo, só que eu não sei os motivos que não entraram em acordo, as que eles queriam pagassem pelo território, e aí não ficou, definiu e continuou Álvares Machado mesmo.”

Maria de Lourdes dos Anjos também explica como essa possibilidade era apresentada naquele período: “Eles queriam, o Agripino ou o Filho, não sei um dos dois, queria passar isso aqui para Prudente, porque eles achavam que isso aqui estava abandonado [...] Então eles achavam que era mais fácil passar tudo para Prudente do que deixar abandonado igual estava.”

O relato mostra que a discussão não aconteceu de maneira informal ou isolada. Segundo a memória de Mauro, reuniões foram realizadas na escola e envolveram deputados, autoridades de Álvares Machado, vereador e prefeito. O tema chegou, portanto, a mobilizar diferentes representantes políticos e autoridades dos dois municípios. No entanto, não houve acordo. Os bairros permaneceram em Álvares Machado.

E é justamente nesse ponto que a memória de Maria de Lourdes dos Anjos ajuda a estabelecer uma diferença importante entre o passado e o presente. Depois de recordar toda aquela discussão, ele afirma: “Mas hoje em dia ninguém se vê falar mais nada nisso, está tudo bonito, tudo organizado [...] porque antes aqui era assustador, viu, esse lugar.”

Essa fala mostra que a antiga possibilidade de transferência administrativa ficou registrada como uma questão do passado. Hoje, segundo o próprio relato de Mauro, não se fala mais nessa mudança. A realidade dos bairros também é apresentada por ele de outra maneira: como um lugar que passou por transformações e que, em sua percepção, está mais bonito e organizado.


Assim, a história da relação com Presidente Prudente não deve ser compreendida como uma reivindicação atual dos moradores para que os bairros deixem de pertencer a Álvares Machado. O que permanece é a memória de um período em que essa possibilidade chegou a ser discutida.

Ao longo dos anos, Parque dos Pinheiros e Jardim Panorama foram consolidando sua própria trajetória dentro de Álvares Machado. 

A proximidade com Presidente Prudente continuou fazendo parte da vida cotidiana, mas a antiga discussão administrativa perdeu espaço e permaneceu como lembrança daqueles que acompanharam a formação e o crescimento dos bairros.

Dessa maneira, diferentes registros ajudam a reconstruir essa história: a pesquisa de Vitor Koiti Miyazaki demonstra a forte integração territorial entre as duas cidades; as fotografias registram a presença de referências políticas prudentinas nos próprios bairros; os relatos de Seu Antonio, Mauro e Maria de Lourdes dos Anjos recuperam a antiga discussão sobre uma possível mudança administrativa; e a fala de Mauro mostra que, atualmente, esse assunto já não faz parte das conversas dos moradores.

A pesquisa sobre politico Telmo Guerra de Presidente Prudente, disponível no link: https://www.estadao.com.br/politica/eleicoes/2024/candidatos-sp/presidente-prudente/vereador/telmo-guerra-55600/?srsltid=AYCX9vKN4Gunm7ELHUrgMbN66Oppa5njijnfJjfqYtxs9XiY31ZDlRSE

A proximidade com Presidente Prudente, portanto, permanece como uma característica importante da história do Parque dos Pinheiros e do Jardim Panorama. Mas a possibilidade de transferência administrativa pertence ao passado — uma parte da memória dos bairros, registrada por aqueles que viveram aquele período e acompanharam as transformações que vieram depois.

A possibilidade de uma mudança administrativa envolvendo os bairros Parque dos Pinheiros e Jardim Panorama também precisa ser compreendida dentro das regras que tratam da organização territorial dos municípios.

A Constituição Federal estabelece, em seu artigo 18, que os municípios possuem autonomia política e administrativa. O parágrafo 4º determina que a criação, incorporação, fusão ou desmembramento de municípios depende de lei estadual, de consulta prévia por meio de plebiscito às populações dos municípios envolvidos e da realização de Estudos de Viabilidade Municipal.

No Estado de São Paulo, a Constituição Estadual também estabelece regras para alterações territoriais dos municípios. O artigo 145 prevê que processos dessa natureza devem ocorrer por lei estadual, com consulta plebiscitária e observância dos estudos de viabilidade previstos na legislação.

Constituição federal disponível no link: https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/518231/CF88_Livro_EC91_2016.pdf

Além disso, a Lei Complementar Estadual nº 651, de 31 de julho de 1990, regulamenta no Estado de São Paulo questões relacionadas à criação, fusão, incorporação e desmembramento de municípios. Seu artigo 12 estabelece que a fusão ou incorporação de municípios, assim como o desmembramento de parte do território para anexação a outro município, deve ocorrer por lei estadual e ser precedido de consulta plebiscitária às populações diretamente interessadas.

Lei Complementar Estadual nº 651, de 31 de julho de 1990, regulamenta no Estado de São Paulo. Disponível no link: https://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/lei.complementar/1990/lei.complementar-651-31.07.1990.html

Em 2026, uma nova legislação federal passou a tratar especificamente da possibilidade de desmembramento de parte de um município para sua incorporação a outro município limítrofe.

Trata-se da Lei Complementar Federal nº 230, de 15 de abril de 2026, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A norma estabelece regras para que esse tipo de alteração territorial possa ocorrer, exigindo iniciativa da Assembleia Legislativa, Estudo de Viabilidade Municipal e consulta às populações dos municípios envolvidos por meio de plebiscito.

A lei estabelece ainda que, caso a população aprove a mudança, o processo deverá ser concluído por meio de lei estadual que fixe os novos limites territoriais.

A Lei Complementar Federal nº 230, de 15 de abril de 2026 está diponível em: https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LCP&numero=230&ano=2026&data=15/04/2026&ato=fb2ETSE50djpWT1d0

Essas normas ajudam a compreender que uma eventual mudança territorial entre Álvares Machado e Presidente Prudente não seria simplesmente uma decisão administrativa local, mas dependeria de procedimentos previstos na legislação.

Assim, a questão da mudança administrativa permanece, neste documentário, como parte da memória histórica dos bairros: uma discussão que existiu no passado, mas que não se concretizou.


TRANSPORTE: DA BRASÍLIA À JANDAIA NOS BAIRROS PARQUE DOS PINHEIROS E JARDIM PANORAMA

O transporte coletivo também fez parte do processo de crescimento e integração dos bairros Parque dos Pinheiros e Jardim Panorama. Nos primeiros anos, a empresa Brasília teve um papel importante nesse processo. Seu Antônio, que esteve à frente da implantação dos loteamentos, relata que “nós pagamos muitos anos um certo subsídio para que eles viessem aqui”, destacando o apoio para que a empresa atendesse a região. Segundo ele, a Brasília foi uma empresa que ajudou muito nesse aspecto. Porém, como as estradas eram de terra, em períodos de chuva o acesso se tornava difícil e, muitas vezes, intransitável. Por isso, os moradores precisavam caminhar até o "Prudentão" para conseguir utilizar a circular da própria Brasília.

Seu Clóvis também relembra as dificuldades enfrentadas pelos moradores naquela época. Ele conta que, em dias de chuva, o ônibus precisava chegar até o "Prudentão" e, como ainda não havia asfalto em determinados trechos, os veículos acabavam atolando. Em seu relato, lembra que às vezes havia “um ônibus atolado aqui e outro lá”, fazendo com que os moradores precisassem seguir o restante do caminho a pé. Ele próprio conta que saía de casa por volta das quatro horas da manhã para caminhar até o local onde conseguia pegar o ônibus para trabalhar. Seu Clóvis chegou ao Panorama no final de 1990 e recorda que, naquele período, as condições das estradas ainda eram bastante precárias.

A situação começou a mudar com a chegada do asfalto. Seu Clóvis relata que, no final de 1991, começaram as obras de pavimentação e, com isso, também chegaram melhorias como a água. Outros moradores também relacionam a pavimentação à melhoria do transporte e do acesso aos bairros.

Epaminondas Duarte Lima Neto, que chegou ao bairro em 1992, recorda que no início a estrutura ainda era muito precária. Segundo ele, a Brasília chegava até a entrada do bairro e, dali para dentro, os moradores precisavam continuar o trajeto a pé. Havia poucos horários de ônibus: inicialmente, um pela manhã, outro no meio do dia e outro à noite. Com o tempo, a empresa foi aumentando os horários, facilitando o deslocamento da população.

É nesse contexto que a história da Jandaia começa a ganhar espaço na região. De acordo com o histórico apresentado no documentário, a empresa já vinha ampliando sua atuação no transporte regional. Em maio de 1985, a Jandaia adquiriu a empresa Rápido Flamingo Limitada, ampliando significativamente sua operação e passando a atender linhas que alcançavam diversos municípios e distritos da região, entre eles Adamantina, Álvares Machado, Anhumas, Caiabu, Coronel Goulart, Dracena, Emilianópolis, Espigão, Flora Rica, Indiana, Irapuru, Junqueirópolis, Lucélia, Mariápolis, Martinópolis, Nova Pátria, Osvaldo Cruz, Parapuã, Presidente Bernardes, Regente Feijó, Taciba e Vila Escócia. Essa expansão fortaleceu a presença da empresa no transporte regional.

Com o crescimento do Parque dos Pinheiros e do Jardim Panorama, a Jandaia também ampliou sua atuação para atender diretamente esses bairros. A partir de 1993, a empresa passou a disponibilizar ônibus exclusivos para os moradores dessas localidades, acompanhando o desenvolvimento urbano e oferecendo uma alternativa de transporte mais voltada às necessidades da população.

E foi justamente em 1993 que Dona Maria de Lourdes dos Anjos chegou ao bairro. Seu depoimento ajuda a compreender esse momento da história. Ao recordar sua chegada, ela relata: “Quando eu cheguei aqui, já era Jandaia e sempre teve ônibus à vontade, né? Menos para Álvares Machado.” Assim, sua chegada coincide com o período em que a Jandaia passou a disponibilizar ônibus exclusivos para atender os moradores do Parque dos Pinheiros e do Jardim Panorama.

A partir dessa mudança, a presença da Jandaia na região foi se consolidando. Epaminondas Duarte Lima Neto recorda que, depois da saída da Brasília, “a Jandaia entrou no Parque Superior do Panorama”. Segundo seu relato, quando a Jandaia entrou, a rua principal já estava asfaltada, mas a empresa não colocava ônibus nas ruas de terra. Ele também explica que, na época, a Jandaia construiu uma garagem na própria região e, a partir dali, os ônibus passaram a sair diretamente do bairro.

Mauro Rigonato também recorda essa transição. Segundo ele, anteriormente era a empresa Brasília, de Presidente Prudente, e, depois que a empresa deixou de operar, a Jandaia entrou no Parque dos Pinheiros e Jardim Panorama. Ele destaca que, quando a Jandaia chegou, a rua principal já estava asfaltada e a empresa não colocava seus ônibus nas ruas de terra. Assim, conforme seu relato, “assim que a Brasília saiu, a Jandaia entrou”. A existência da garagem também é lembrada nos depoimentos como parte dessa nova estrutura de transporte, fazendo com que os ônibus passassem a sair diretamente da região.

Seu Antônio destaca ainda que a Jandaia passou a cumprir uma função importante na circulação dos bairros. Segundo ele, enquanto a Andorinha fazia o atendimento dos distritos e municípios do entorno, a Jandaia veio cobrir essa área e também a circulação do Parque dos Pinheiros e Panorama. Dessa forma, a empresa passou a fazer parte da rotina de deslocamento dos moradores e da ligação dos bairros com as cidades da região.

A história do transporte, portanto, acompanha a própria transformação dos bairros: de uma época em que os moradores enfrentavam estradas de terra, poucos horários, caminhadas até os pontos de ônibus e até veículos atolados durante as chuvas, para uma realidade de ruas pavimentadas, ampliação dos horários e presença de uma linha de transporte mais próxima da população. A passagem da Brasília para a Jandaia representa, assim, uma etapa importante dessa mudança e da integração dos bairros com Presidente Prudente e a região.

A trajetória da Jandaia também demonstra como o transporte regional foi se estruturando ao longo do tempo. A empresa, que havia ampliado sua atuação após a aquisição da Rápido Flamingo Limitada em 1985 e passou a atender diversos municípios e distritos da região, posteriormente ampliou seus serviços para os bairros Parque dos Pinheiros e Jardim Panorama. A partir de 1993, passou a disponibilizar ônibus exclusivos para esses moradores e, com o crescimento da operação, chegou a estabelecer uma garagem na própria região, de onde os ônibus saíam diretamente. Para quem viveu os primeiros anos dos bairros, essa mudança representou muito mais do que a chegada de uma nova empresa: significou maior facilidade de deslocamento e uma ligação mais próxima entre os bairros, Presidente Prudente, Álvares Machado e os demais municípios atendidos pela rede de transporte.


VIOLÊNCIA, TRANSFORMAÇÃO E NOVOS CAMINHOS

Durante a trajetória dos bairros Parque dos Pinheiros e Jardim Panorama, as lembranças dos moradores também revelam um período marcado por dificuldades relacionadas à violência, à insegurança e ao preconceito. Esses relatos, porém, mostram que essa realidade não permaneceu a mesma ao longo do tempo.

Seu Antônio lembra que, nos primeiros anos, a própria localização da região contribuía para situações de insegurança. Segundo ele, por ser uma área distante do centro e com uma grande vegetação de mata, o local acabava sendo utilizado como esconderijo: “era um lugar de grande esconderijo. Então, o pessoal fazia as suas travessuras na cidade e se escondiam aqui. E, por consequência, o bairro era afetado com esta situação.” Para ele, a chegada e o fortalecimento da segurança pública contribuíram gradativamente para amenizar esse problema: “logo, logo, a segurança pública foi chegando, chegando, chegando, e foi amenizando esse problema.”

Essa imagem de um bairro associado à violência também deixou marcas na forma como seus moradores eram vistos. Seu Antônio recorda que quem vivia na periferia era muitas vezes “taxado” e visto como alguém à parte. Mas, segundo ele, a própria comunidade foi transformando essa percepção por meio de sua união, resistência e desenvolvimento. Como resume o entrevistado, “a resiliência, a coragem de vencer dos mais simples foi tão grande que depois começou a engolir essa ideia.” E completa: “Hoje é valorizado os bairros.”

Na memória de Seu Clóvis, o contraste entre aquele período e o presente também é muito forte. Ele relata que, naquela época, havia grande preocupação com a violência e menciona situações de roubo e assassinato. Ao recordar aquele cenário, afirma: “Na época, a gente tinha muita preocupação com isso. Era muito roubo, muito assassinato, era fora de sério.” Segundo ele, também havia muitos bares e pessoas envolvidas com o consumo de bebidas alcoólicas, uma realidade que, com o passar dos anos, foi se modificando.

Nesse processo de transformação, as igrejas aparecem nos relatos dos moradores como parte importante da vida comunitária. Seu Antônio destaca que a Igreja Católica e outras denominações religiosas ajudaram a construir uma base para a comunidade, não apenas pela dimensão religiosa, mas também pela educação, pelo respeito, pela formação das famílias e pelo trabalho social. Segundo ele, “as igrejas, todas elas, independentemente, foram muito importantes para combater essa violência e para estruturar a família”. Ele também ressalta que a escola e a igreja passaram a atuar como espaços de formação: “E a escola e a igreja vêm ajudar nessa educação.”

Seu Clóvis também relaciona essa transformação à presença crescente das igrejas. Ao recordar as primeiras denominações existentes na região, menciona a Assembleia de Deus, o Avivamento Bíblico e a Congregação Cristã no Brasil, destacando que, com o passar dos anos, novas igrejas foram construídas. Em sua percepção, houve uma mudança significativa no cotidiano da comunidade, que passou a contar com diferentes espaços de convivência, orientação e participação.

Assim, os depoimentos mostram que a história dos bairros não pode ser compreendida apenas pelas dificuldades enfrentadas em seus primeiros anos. A chegada da infraestrutura, o crescimento da população, a atuação das escolas, das igrejas e de diferentes iniciativas comunitárias foram modificando gradativamente a realidade local. A transformação também passou pela criação de oportunidades para crianças e adolescentes, especialmente em um período em que a violência ainda fazia parte das preocupações dos moradores.

É nesse contexto que o depoimento de Odair Carlos Biscola ganha importância. Em seu relato, ao falar sobre o período em que chegou à região, no ano 2000, ele também recorda um cenário que ainda enfrentava dificuldades e no qual havia preocupação com a criminalidade. Sua lembrança conduz a uma das iniciativas que marcou essa transformação: a criação da Banda Musical Onze de Julho.

E é sobre essa história, sobre a música, os jovens e o papel que a Banda Musical Onze de Julho passou a exercer na comunidade, que vamos falar a seguir.


AS IGREJAS E A FORMAÇÃO DA IDENTIDADE RELIGIOSA

Ao relembrar os períodos de maior preocupação com a violência, os moradores também apontam um elemento que consideram fundamental para a transformação do bairro: a presença das igrejas.

Embora os pesquisadores que estudaram a formação e as transformações do Parque dos Pinheiros e do Jardim Panorama não abordem especificamente o papel das igrejas na pacificação dos bairros, os relatos dos moradores trazem essa percepção a partir de suas próprias experiências. Para eles, as igrejas tiveram papel fundamental nesse processo, oferecendo espaços de fé, orientação, acolhimento, convivência e participação comunitária.

Seu Antônio também destacou a importância das igrejas na formação dos moradores, relacionando sua presença à transmissão de valores, à preservação da moral e dos costumes e à convivência dentro da comunidade. Em seu relato, a religiosidade aparece não apenas como uma questão de fé, mas também como parte da formação social dos bairros.

É a partir dessas memórias que a religiosidade ganha espaço nesta história.

A religiosidade também ocupa um lugar importante na história do Parque dos Pinheiros e do Jardim Panorama.

Nos primeiros anos, as igrejas e capelas funcionavam como espaços de encontro, acolhimento e organização comunitária.

Os relatos de moradores demonstram que, com o crescimento populacional, diferentes denominações religiosas passaram a estabelecer suas atividades nos bairros.

Seu Clóvis, que chegou em 1990, destacou a importância das instituições religiosas na formação dos vínculos sociais.

Segundo ele, a ampliação das igrejas contribuiu para oferecer espaços de convivência, apoio espiritual e participação comunitária.

O documentário registra aproximadamente vinte igrejas entre os dois bairros, além de apresentar diferentes denominações.

Entre elas estão:

1 - Paróquia Nossa Senhora Aparecida





2 - Igreja Assembleia de Deus – Ministério Presidente Prudente

Foto: Elias Rocha




3 - Igreja Sinais de Deus

Foto: Elias Rocha




4 - Igreja Assembleia de Deus Madureira Brás

Foto: Elias Rocha





5 - Igreja Igreja Cristo Verdade que Liberta

                                                                        Foto: Elias Rocha


6 - Igreja do Evangelho Quadrangular

       Foto: Elias Rocha



7 - Igreja Congregação Cristã no Brasil – Jardim Panorama

                                                                        Foto: Elias Rocha


8 - Igreja Congregação Cristã no Brasil – Parque dos Pinheiros

                                                                         Foto: Elias Rocha


9 - Igreja Assembleia de Deus Viva

                                                                         Foto: Elias Rocha



10 - Igreja Pentecostal Deus é Amor

                                                                        Foto: Elias Rocha


11 - Igreja Tabernáculo da Fé

                                                                         Foto: Elias Rocha


12 - Igreja Presbiteriana do Brasil

        Foto: Elias Rocha



13 - Igreja Adventista do Sétimo Dia

                                                                        Foto: Elias Rocha


14 - Igreja Assembleia de Deus 

                                                                        Foto: Elias Rocha



15 - Igreja Assembleia de Deus Semeando Paz

                                                                        Foto: Elias Rocha



16 - Igreja Batista Família Reviver

Foto: Elias Rocha



17 - Igreja Internacional da Graça de Deus

  Foto: Elias Rocha



18- Igreja Assembleia de Deus Ministério do Belém

  Foto: Elias Rocha



19 - Igreja Evangélica Templo de Adoração

  Foto: Elias Rocha



20 -Igreja Avivamento Bíblico.

                                                                        Foto: Elias Rocha


A diversidade religiosa demonstra como os espaços de fé passaram a integrar a organização social dos bairros.

O registro dessa trajetória é importante porque a história comunitária também é construída pelas instituições que promovem acolhimento, solidariedade e convivência.


A CULTURA, A MÚSICA E OS PROJETOS SOCIAIS - TRAJETÓRIA DA BANDA MÚSICAL XI DE JULHO DO PARQUE DOS PINHEIROS E JARDIM PANORAMA

As igrejas, portanto, aparecem nos relatos dos moradores como espaços que contribuíram para a orientação, a convivência, a formação de valores e, segundo essa percepção, para a pacificação dos bairros.

Mas esse processo de transformação não se limitou à religiosidade. A pesquisa também revelou outras iniciativas que passaram a oferecer às crianças e aos jovens novas possibilidades de convivência, aprendizado, disciplina, lazer e participação social.

Entre essas iniciativas, a cultura ganhou um papel de destaque. Em especial, a Banda Musical XI de Julho passou a representar uma oportunidade para que muitos jovens ocupassem seu tempo com atividades positivas e encontrassem alternativas diante da realidade de violência relatada no bairro.

Ao relembrar o período em que chegou ao Parque dos Pinheiros, no ano 2000, o maestro e fundador da Banda Musical XI de Julho, Odair, relatou que encontrou um cenário marcado por um índice de criminalidade muito grande e por situações envolvendo jovens e pessoas de diferentes idades. Seu depoimento também mostra como a Banda e outros projetos sociais passaram a oferecer oportunidades para esses jovens.

Entre essas iniciativas estão atividades esportivas, futebol, karatê e o Projeto Guri, além da própria Banda Musical XI de Julho.

O desenvolvimento dos bairros não ocorreu apenas por meio das construções e da infraestrutura. A cultura também passou a desempenhar um papel importante na formação das novas gerações.

Um dos exemplos mais expressivos é a Banda Musical XI de Julho, cujo projeto teve início no ano 2000.

Em entrevista, Odair relatou que foi convidado para desenvolver uma atividade cultural no Parque dos Pinheiros, em um período no qual a comunidade ainda apresentava poucas opções de entretenimento.

O trabalho começou com uma fanfarra e, gradualmente, foi ampliado com a aquisição de instrumentos e a formação de uma banda musical.

Entre os instrumentos utilizados estão trompetes, trombones, bombardinos, tubas e saxofones, além da formação de corpo coreográfico e linha de frente.

Segundo o entrevistado, mais de dois mil alunos já passaram pelo projeto ao longo de seus 26 anos de atividades.

A banda também participou de festivais, concursos, apresentações em outras cidades e eventos internacionais. Foram relatadas mais de 300 apresentações e a conquista de diversos títulos. Entretanto, sua importância não está apenas nas apresentações.

O projeto ofereceu oportunidades de aprendizagem, disciplina, convivência e desenvolvimento pessoal para crianças e adolescentes.


Odair destacou que muitos alunos que começaram ainda crianças permaneceram vinculados à banda, alguns deles retornando posteriormente como instrutores e colaboradores, enquanto seus próprios filhos passaram a participar.

Essa continuidade demonstra a formação de vínculos entre diferentes gerações.

O entrevistado também ressaltou a contribuição da música para oferecer alternativas de lazer e participação social aos jovens.

Além da banda, foram mencionadas iniciativas como atividades esportivas, karatê, futebol e o Projeto Guri.

Essas experiências demonstram que a construção de uma comunidade envolve também oportunidades de educação, cultura e desenvolvimento humano.




O ESPORTE E OS ESPAÇOS DE CONVIVÊNCIA

O futebol também aparece de maneira recorrente nas lembranças dos moradores.

Antes da implantação de espaços esportivos estruturados, as crianças e os jovens utilizavam terrenos disponíveis para organizar pequenas partidas.

Mauro recordou a existência de equipes que movimentavam a comunidade, destacando o Marajá e o Flamenguim entre os times conhecidos.

Com a implantação do campo de futebol, os torneios passaram a reunir diferentes equipes e moradores.

Em 1º de abril de 1996, a Lei Municipal nº 2.002 estabeleceu a denominação Estádio Municipal Gerson Corrêa para o campo localizado na região dos bairros. Lei sobre denominação Estádio Municipal Gerson Corrêa disponível no link: https://sapl.alvaresmachado.sp.leg.br/media/sapl/public/normajuridica/1996/999/999_texto_integral.pdf

O espaço passou a representar um importante ponto de encontro para atividades esportivas e de lazer.

Além do futebol, a realização de festivais, apresentações culturais e eventos comunitários contribuiu para fortalecer a convivência entre as famílias.


A PARTICIPAÇÃO DOS MORADORES E AS REIVINDICAÇÕES POR MELHORIAS

Uma das características mais importantes da história dos bairros foi a mobilização dos próprios moradores.

A ausência de infraestrutura provocou reivindicações por água, energia elétrica, iluminação pública, transporte, pavimentação, coleta de lixo e atendimento de saúde.

Mauro recordou a atuação da associação de moradores, destacando que a organização comunitária foi fundamental para cobrar melhorias.

Clóvis também relatou a participação das mulheres, que procuravam os meios de comunicação para reivindicar serviços e chamar a atenção das autoridades.

Foto: Carlos José Ribeiro 

Segundo ele, a Rádio Comercial AM de Presidente Prudente, no programa jornalistico do apresentador Osvaldo Torino era utilizada como canal para apresentar os problemas da comunidade, especialmente as dificuldades relacionadas à falta de abastecimento de água.

Essas lembranças mostram a importância da comunicação comunitária como instrumento de mobilização social.

A participação política também aparece nos registros históricos da pesquisa.


A FORÇA POLÍTICA DOS MORADORES

Ao longo das décadas, a história do Parque dos Pinheiros e do Jardim Panorama também se relaciona com a participação de seus moradores na vida pública de Álvares Machado. Pessoas ligadas aos bairros ocuparam espaços no Legislativo Municipal, contribuindo para ampliar a representação dessas comunidades.

Entre os nomes mencionados no levantamento estão Cícero Lacerda da Silva, João Gibi, Carlos José Ribeiro, Lenice Messias dos Santos Ribeiro e Joel Nunes de Almeida. São trajetórias que mostram a presença de moradores dos bairros em diferentes momentos da vida política do município.

Joel Nunes de Almeida merece destaque por sua atuação no Legislativo Municipal, tendo exercido a função de presidente da Câmara Municipal de Álvares Machado, representando uma importante participação de um morador ligado aos bairros na estrutura política do município.

Outro capítulo dessa participação é a trajetória de Roger Fernandes Gasques, morador do Parque dos Pinheiros, que chegou à Prefeitura de Álvares Machado. O levantamento registra sua passagem pelo comando do município a partir de 2019 e sua eleição para o mandato iniciado em 2021.

Durante sua gestão, os bairros que fazem parte desta história também aparecem relacionados a ações da administração municipal. O documentário utilizou como fonte uma reportagem do portal O Imparcial, intitulada “Prefeito de Álvares Machado faz balanço das principais ações realizadas em 2023”, na qual são apresentadas informações sobre investimentos e ações nas áreas de infraestrutura e saúde no Parque dos Pinheiros e no Jardim Panorama. 

A referida matéria “Prefeito de Álvares Machado faz balanço das principais ações realizadas em 2023” do portal O Imparcial encontra-se disponível em: https://www.imparcial.com.br/noticias/prefeito-de-lvares-machado-faz-balanco-das-principais-acoes-realizadas-em-2023,62951

Assim, a trajetória de Roger Gasques ganha um significado particular dentro desta narrativa: um morador do Parque dos Pinheiros que passou a ocupar o principal cargo do Poder Executivo municipal. Sua trajetória permite observar uma outra dimensão da transformação dos bairros — não apenas como espaços que receberam melhorias ao longo do tempo, mas também como comunidades cujos próprios moradores passaram a participar dos espaços de decisão e da administração pública do município.

Dessa forma, a história do Parque dos Pinheiros e do Jardim Panorama é construída por diferentes formas de participação: pelos moradores que ajudaram a formar e transformar os bairros, pelas igrejas e instituições que fortaleceram a convivência comunitária, pela Banda XI de Julho e outras iniciativas culturais, pela participação no Legislativo e, também, pela presença de um morador do Parque dos Pinheiros à frente da Prefeitura Municipal.


A PAVIMENTAÇÃO E A TRANSFORMAÇÃO DAS RUAS

A transformação das ruas representa uma das mudanças mais visíveis na paisagem dos bairros.

Durante muitos anos, diversas vias permaneceram sem pavimentação.

Em períodos de chuva, os moradores enfrentavam lama, buracos, erosões e dificuldades de circulação.

Clóvis recordou que, no início da década de 1990, a manutenção das estradas de terra não era suficiente para garantir boas condições de tráfego.

Segundo seu depoimento, o asfalto começou a chegar à região no final de 1991, especialmente na linha utilizada pelo transporte coletivo.

Mauro, por sua vez, recordou que a Rua Junqueira Freire recebeu pavimentação aproximadamente em 1999.

Essas informações mostram que o processo ocorreu gradualmente, em diferentes etapas e períodos.

A pesquisa apresenta fotografias antigas e atuais de diferentes ruas, permitindo observar as mudanças ocorridas na infraestrutura.


              Foto: Joel Nunes de Almeida                                                    Foto: Joel Nunes de Almeida




Foto: Joel Nunes de Almeida - Avenida José de Alencar

No Jardim Panorama, foram registradas comparações de locais como Rua Júlio Ribeiro, Rua Inglês de Sousa, Avenida Vinícius de Moraes, Avenida Castro Alves, Rua Clóvis B. Vilácoa, Rua Manoel Bandeira, Rua Coelho Neto, Rua Evaristo da Veiga, Rua Silva Ramos, Rua Souza Caldas e Rua Visconde Taunay, além da Rua Graça Aranha.

No Parque dos Pinheiros, as imagens destacam a Avenida Vinícius de Moraes, a Avenida José de Alencar, a Rua Joaquim Serra e a Rua Junqueira Freire, além da Rua Martins Pena.

As fotografias foram disponibilizadas por colaboradores, entre eles o ex-vereador Carlos José Ribeiro, o presidente da Câmara Municipal Joel Nunes de Almeida, Mauro Rigonato e Pedro Alves Pereira Santana.

Os registros mostram que algumas ruas receberam pavimentação em períodos anteriores a 2022.

Posteriormente, a partir de 2022, novas intervenções ampliaram a pavimentação, e as imagens atuais permitem observar o resultado dessas transformações.

Durante a gestão municipal de Roger Fernandes Gasques, entre 2021 e 2024, foram registradas intervenções importantes, incluindo a conclusão da pavimentação das ruas dos bairros e a construção de uma ciclovia no Parque dos Pinheiros, conforme o levantamento apresentado no documentário.

É importante reconhecer que a infraestrutura foi construída ao longo de diferentes períodos e administrações municipais, resultado de um processo contínuo de reivindicações e investimentos.


A ÁREA DE SAÚDE, O CENTRO DE APOIO AO IDOSO E OS NOVOS EQUIPAMENTOS

A expansão dos serviços públicos acompanhou o crescimento das residências e da população.

Um exemplo dessa transformação pode ser observado na Rua Joaquim Serra, no Parque dos Pinheiros.

Segundo Mauro, o local onde atualmente funciona o Centro de Apoio ao Idoso era anteriormente um terreno baldio.

O mesmo tipo de transformação pode ser observado em outros espaços que passaram a receber equipamentos públicos e estruturas de atendimento.

O novo posto de saúde e o dispensário municipal de medicamentos representam parte desse processo de ampliação dos serviços.

Essas mudanças demonstram que espaços anteriormente vazios ou pouco utilizados passaram a desempenhar funções importantes para o atendimento da população.

A comparação entre fotografias antigas e atuais permite compreender como o crescimento urbano modificou não apenas as ruas, mas também o uso dos terrenos e a organização dos espaços comunitários.

Ao final deste artigo, apresentaremos uma nova seleção de fotografias históricas de ruas do município, colocando o passado e o presente lado a lado. Um convite para percorrer novamente esses caminhos, observar as transformações e reviver lembranças no Túnel do Tempo.


A EVOLUÇÃO POPULACIONAL E A DIMENSÃO ATUAL DOS BAIRROS

O crescimento populacional foi um dos fatores responsáveis pela ampliação das demandas por serviços públicos e infraestrutura.

Durante a pesquisa, foram solicitadas informações oficiais à Prefeitura Municipal de Álvares Machado.

Em resposta ao requerimento protocolado em 25 de junho de 2026, o município encaminhou o Ofício nº 14/2026, datado de 13 de julho de 2026, contendo estimativas populacionais para os três bairros.

Segundo os dados apresentados, o Parque dos Pinheiros I possui população estimada de 1.819 habitantes, o Parque dos Pinheiros II possui 475 habitantes e o Jardim Panorama possui 2.578 habitantes. Juntos, os três bairros totalizam uma estimativa de 4.872 habitantes.

A estimativa foi elaborada com base nos imóveis residenciais cadastrados pela Divisão de Tributação, utilizando o critério de 2,76 moradores por residência.

A Prefeitura esclareceu que os números são estimativas técnicas e não correspondem a uma contagem censitária realizada diretamente nos bairros.

A pesquisa também apresenta dados eleitorais da 182ª Zona Eleitoral relacionados à EMEIF Márcia Helena Fernandes de Araújo, que registra 3.960 eleitores aptos.

É necessário diferenciar os dois indicadores: a estimativa populacional considera os moradores, enquanto o registro eleitoral contabiliza pessoas aptas a votar.

Esses números ajudam a compreender a dimensão das comunidades e sua importância dentro do município.



O DESENVOLVIMENTO REGIONAL E AS PERSPECTIVAS FUTURAS

A expansão urbana observada no Parque dos Pinheiros e no Jardim Panorama também está relacionada ao surgimento de novos empreendimentos nas áreas próximas.



Os depoimentos mencionam o crescimento de loteamentos e conjuntos habitacionais no entorno, além da presença de instituições de ensino e novas possibilidades de ocupação territorial.

Antônio Cuisse relatou a existência de áreas que ainda poderão receber novos empreendimentos habitacionais, demonstrando que a região continua despertando interesse para a expansão urbana.


Durante a entrevista, também foi mencionada a necessidade de melhorias em acessos rodoviários, especialmente em relação à circulação na região da estrada do quilômetro 44.

Essas observações representam perspectivas apresentadas pelo entrevistado, não devendo ser confundidas com obras já executadas ou projetos oficialmente aprovados.

O crescimento futuro exigirá planejamento urbano, mobilidade, preservação ambiental, ampliação dos serviços públicos e atenção às necessidades das famílias que já residem nos bairros.

O processo de expansão do Parque dos Pinheiros também aparece nas perspectivas futuras apresentadas por Seu Antônio. Em seu depoimento, ele relata que ainda existem cerca de 50 alqueires de terra e afirma haver a pretensão de desenvolver no local um grande conjunto habitacional, com aproximadamente 2.250 casas. Questionado sobre a existência de um projeto, confirma: “Sim, nós estamos caminhando para isso”. Segundo ele, essa expansão poderá representar o crescimento da população e, consequentemente, novas demandas e melhorias para a região.


A IMPORTÂNCIA DA MEMÓRIA E DOS DEPOIMENTOS DOS MORADORES

Um dos principais resultados desta pesquisa foi perceber que a história dos bairros não está concentrada em uma única pessoa ou instituição. Ela está distribuída nas lembranças de diferentes gerações.

Antônio Cuisse representa a memória da implantação dos loteamentos e da formação dos empreendimentos.

José Lopes preserva a lembrança material dos primeiros poços, por meio do sarilho construído e utilizado em 1987.

Mauro recupera a história da escola, das dificuldades de infraestrutura, dos espaços esportivos e da organização comunitária.

Clóvis apresenta as lembranças dos primeiros anos de ocupação, do transporte coletivo, das reivindicações por melhorias e da transformação da Área Verde.

Maria de Lourdes dos Anjos, que chegou ao bairro em 1993, descreve uma realidade marcada por poucas casas, terrenos vazios, comércio reduzido e dificuldades de atendimento público. Sua comparação com o presente demonstra a dimensão do crescimento ocorrido.

Epaminondas Duarte Lima Neto registra a história do comércio, desde a Casa de Caneto e o Bar do Neto até os serviços que atualmente atendem a população.

Dona Maria contribui com a memória da formação rural e das famílias que antecederam a expansão urbana.

Renato Mizobe preserva a história da fotografia, das tradições familiares e das transformações tecnológicas que modificaram a maneira de registrar acontecimentos.

Odair apresenta a trajetória da Banda Musical Onze de Julho e a importância dos projetos culturais para a formação dos jovens.

Outros depoimentos e registros complementam essas narrativas, demonstrando que a memória coletiva é construída por diferentes experiências.

Cada entrevistado apresenta uma perspectiva particular. Algumas lembranças possuem datas aproximadas, outras são acompanhadas de documentos e fotografias. Por isso, a pesquisa procurou respeitar as informações de cada fonte, sem transformar lembranças individuais em afirmações históricas absolutas.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

A história do Parque dos Pinheiros I, Parque dos Pinheiros II e Jardim Panorama revela uma trajetória de transformação marcada pela perseverança das famílias, pela organização comunitária e pela ampliação gradual da infraestrutura urbana.

O que inicialmente representava uma região com poucas residências, terrenos vazios, ruas de terra e serviços limitados tornou-se uma comunidade com milhares de moradores, estabelecimentos comerciais, escolas, unidades de saúde, instituições religiosas e projetos culturais.

As dificuldades enfrentadas pelas primeiras famílias demonstram que o desenvolvimento urbano não acontece de maneira automática. Ele exige participação social, planejamento, investimentos e, principalmente, o envolvimento das pessoas que vivem no território.

O Jardim Panorama possui uma trajetória particular, especialmente pela história da antiga Área Verde, pelas famílias que viveram naquela região e pelas transformações ambientais e habitacionais que ocorreram ao longo das décadas.

O Parque dos Pinheiros, por sua vez, apresenta uma história diretamente relacionada à implantação dos primeiros loteamentos, ao desenvolvimento do comércio, à expansão das escolas, à construção de equipamentos públicos e à formação de projetos culturais que alcançaram diferentes gerações.

Entretanto, os dois bairros compartilham uma história profundamente conectada. Suas conquistas, dificuldades e transformações fazem parte de um mesmo processo de formação comunitária.

O projeto Túnel do Tempo: Relembrando Histórias do Seu Bairro procurou demonstrar que preservar a memória local é também reconhecer a importância de pessoas que, muitas vezes, não aparecem nos registros oficiais, mas que participaram diretamente da construção da comunidade.

As fotografias antigas mostram como eram as ruas. Os documentos ajudam a identificar as decisões administrativas. As pesquisas acadêmicas contextualizam a expansão territorial. Mas são os depoimentos que permitem compreender como as transformações foram vividas pelas famílias.

A produção do documentário e deste artigo representa, portanto, uma contribuição educativa, cultural e social para Álvares Machado.

Mais do que recordar o passado, o objetivo é permitir que as novas gerações conheçam as dificuldades enfrentadas, reconheçam as conquistas alcançadas e compreendam que a história dos bairros continua sendo construída diariamente.

O Parque dos Pinheiros e o Jardim Panorama não são apenas lugares onde as pessoas moram. São comunidades construídas por histórias, famílias, trabalho, sonhos e conquistas. Preservar essa trajetória é garantir que as próximas gerações saibam de onde vieram e reconheçam o valor daqueles que ajudaram a construir o lugar que hoje chamam de lar.




























Era um espaço que reunia diferentes necessidades da comunidade. Mauro também recordou que, durante determinado período, a escola possuía uma quadra descoberta, utilizada para campeonatos e atividades esportivas nos finais de semana.


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