Player Rádio Inovação FM

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Atividade de Extensão Unicesumar "Túnel do Tempo: Relembrando histórias do seu bairro. Histórias que construíram Álvares Machado: Memórias do Parque dos Pinheiros e Jardim Panorama"

Avenida Castro Alves
Avenida Castro Alves - Entre Panorama e Parque dos Pinheiros


RESUMO

Este artigo apresenta um levantamento histórico e cultural sobre a formação e o desenvolvimento dos bairros Parque dos Pinheiros I, Parque dos Pinheiros II e Jardim Panorama, localizados no município de Álvares Machado, interior do Estado de São Paulo. A pesquisa foi desenvolvida por meio de entrevistas com moradores antigos, pioneiros, comerciantes e pessoas que acompanharam diferentes períodos de transformação da comunidade, além da análise de fotografias, documentos públicos, registros legislativos e referências acadêmicas. O trabalho recupera a origem dos loteamentos, as dificuldades enfrentadas pelas primeiras famílias, a ausência de infraestrutura, as conquistas relacionadas ao abastecimento de água, energia elétrica, saneamento, transporte, educação, saúde e pavimentação. Também registra a importância do comércio, das instituições religiosas, dos projetos culturais e da participação comunitária. O Jardim Panorama recebe atenção especial pela história de sua ocupação, pela antiga área conhecida como Área Verde e pelas mudanças ocorridas em sua paisagem. O Parque dos Pinheiros, por sua vez, é apresentado a partir de sua formação, expansão territorial, organização comunitária e consolidação como importante núcleo residencial de Álvares Machado. A pesquisa procura preservar a memória coletiva e transmitir às novas gerações as experiências de quem participou diretamente dessa trajetória.

Palavras-chave: Memória coletiva. História local. Parque dos Pinheiros. Jardim Panorama. Álvares Machado. Patrimônio cultural.

INTRODUÇÃO

Uma comunidade não é construída apenas por ruas, casas, prédios ou obras públicas. Sua história também é formada pelas pessoas que chegaram primeiro, pelas famílias que estabeleceram suas moradias, pelos comerciantes que iniciaram pequenos negócios, pelos professores que contribuíram para a educação e por todos aqueles que, de alguma maneira, participaram de sua transformação.

É a partir dessa compreensão que se desenvolve o projeto extensionista Túnel do Tempo: Relembrando Histórias do Seu Bairro, realizado pela Unicesumar, Polo Presidente Prudente, com o propósito de registrar e compartilhar a história dos bairros Parque dos Pinheiros I, Parque dos Pinheiros II e Jardim Panorama, pertencentes ao município de Álvares Machado.

A pesquisa surgiu da necessidade de preservar informações que, muitas vezes, permanecem apenas na memória dos moradores mais antigos. São histórias sobre um período em que as ruas ainda eram de terra, havia poucas residências, o transporte coletivo apresentava dificuldades e as famílias precisavam encontrar soluções próprias para necessidades básicas, como o abastecimento de água.

Ao longo do levantamento, foram realizadas entrevistas com moradores e pessoas diretamente relacionadas à história dos bairros. Entre os participantes estão Antônio Cuisse, José Lopes, Epaminondas Duarte Lima Neto, conhecido como Neto, Mauro, Clóvis, Irmã Lourdes, Dona Maria, Renato Nizobi e Odair, além de outros colaboradores que contribuíram com fotografias, documentos e informações.

O trabalho também reuniu registros da Prefeitura Municipal, da Câmara Municipal de Álvares Machado, informações legislativas, fotografias antigas e atuais e referências acadêmicas, especialmente os estudos de Vitor Koiti Miyazaki sobre a aglomeração urbana entre Álvares Machado, Presidente Prudente e Regente Feijó.

Inicialmente, a proposta previa a coleta de depoimentos e a divulgação das informações em canais de comunicação. Entretanto, diante da quantidade de histórias e documentos encontrados, o projeto foi ampliado para a produção de um videodocumentário, complementado por este artigo.

É importante esclarecer que esta pesquisa não pretende esgotar todos os acontecimentos históricos dos bairros, tampouco substituir um estudo historiográfico aprofundado. Seu objetivo é organizar os registros disponíveis, preservar as memórias e apresentar à comunidade uma narrativa fundamentada nas fontes consultadas.

CONTEXTO HISTÓRICO DE ÁLVARES MACHADO E A FORMAÇÃO DA REGIÃO

Para compreender a formação do Parque dos Pinheiros e do Jardim Panorama, é necessário considerar o processo de desenvolvimento de Álvares Machado e sua relação com Presidente Prudente.

A história do município está relacionada à expansão da ocupação territorial no Oeste Paulista, à agricultura, à chegada de imigrantes e à implantação de importantes vias de circulação.

A Estrada de Ferro Sorocabana teve papel significativo nesse processo. Conforme os relatos reunidos, a ferrovia possibilitava o transporte de passageiros e mercadorias, incluindo café, madeira e animais, além de conectar a região a outros centros urbanos.

O senhor Antônio Negri, que chegou ainda bebê à região, por volta de 1941, recordou que, durante sua infância, era necessário caminhar por longas distâncias para estudar na cidade. Seu relato também recupera a presença de antigas empresas compradoras de café e o movimento proporcionado pela ferrovia.

As lembranças de Dona Maria ajudam a ampliar esse contexto. Nascida em 08 de setembro de 1939, ela descreveu uma infância marcada pela vida rural, pela convivência familiar e pelo trabalho no sítio dos avós.

A família, de origem italiana, cultivava café, plantava alimentos, cuidava dos animais, produzia parte do próprio sustento e utilizava água de minas e poços. A iluminação era feita por lampiões a querosene, e muitas necessidades eram resolvidas dentro da própria propriedade.

Dona Maria também recordou as dificuldades de deslocamento para atendimento médico, relatando que, quando nasceu, foi necessário recorrer ao único táxi que havia na cidade, pertencente ao senhor conhecido como Pascolão.

Essas lembranças demonstram como a região passou por transformações profundas entre uma realidade predominantemente rural e a expansão dos espaços urbanos.

A presença de famílias italianas e japonesas também integra essa história. A imigração contribuiu para a formação econômica, cultural e social de Álvares Machado, deixando marcas no comércio, na agricultura, nas tradições familiares e nas instituições da cidade.

O depoimento de Renato Nizobi acrescenta outro elemento importante: a história da fotografia em Álvares Machado. Sua família manteve uma trajetória ligada à atividade fotográfica, iniciada pela geração de seus avós e continuada por sua mãe, que trabalhou durante décadas registrando casamentos, aniversários e acontecimentos familiares.

A antiga fotografia em preto e branco, os equipamentos de filme e os processos de revelação representam não apenas a evolução tecnológica, mas também uma forma de preservar a memória das famílias machadenses.

A ORIGEM DOS LOTEAMENTOS PARQUE DOS PINHEIROS E JARDIM PANORAMA

Um dos pontos centrais desta pesquisa foi compreender como surgiram os bairros Parque dos Pinheiros I, Parque dos Pinheiros II e Jardim Panorama.

O depoimento de Antônio Coissi, ligado diretamente à implantação dos loteamentos, foi fundamental para esclarecer essa questão.

Segundo ele, a família adquiriu uma área de terras em 1975. Posteriormente, em 1978, iniciou-se a articulação para implantação de um grande empreendimento imobiliário, envolvendo aproximadamente 25 alqueires pertencentes à família e outros 30 alqueires de uma propriedade vizinha.

A proposta inicial estava vinculada à incorporadora Iorque, que reuniu diferentes áreas em um único projeto. Entretanto, dificuldades comerciais e administrativas impediram a continuidade do empreendimento nos moldes inicialmente planejados.

Diante da situação, os responsáveis precisaram assumir compromissos já estabelecidos com compradores. Assim, ocorreram desdobramentos empresariais: Pedro Dib passou a atuar por meio da incorporadora Arco Verde, enquanto a família Coissi deu continuidade à sua parte por meio da incorporadora São José.

Conforme o entrevistado, a incorporadora São José ficou responsável pelo desenvolvimento do Parque dos Pinheiros I e II, enquanto o Jardim Panorama teve continuidade vinculada à Arco Verde.

Os depoimentos também recuperam uma denominação anterior, identificada como Nova York ou Vila Nova York. Essa denominação aparece nas lembranças de moradores e nos relatos sobre a origem do empreendimento.

Posteriormente, os loteamentos passaram a receber as denominações pelas quais são conhecidos atualmente.

A escolha dos nomes também foi esclarecida durante a entrevista com Antônio Cuisse. Segundo ele, a denominação Parque dos Pinheiros foi escolhida de maneira sugestiva, inspirada na presença de árvores e de uma vegetação expressiva na região. Não existia, necessariamente, um plantio de pinheiros que justificasse literalmente o nome. Já a denominação Panorama foi relacionada à vista panorâmica existente na área.

Essa informação é importante porque permite registrar a origem dos nomes a partir de quem participou diretamente do processo de implantação dos loteamentos.

Embora administrativamente pertençam a Álvares Machado, os bairros Parque dos Pinheiros e Jardim Panorama possuem uma relação geográfica e cotidiana muito próxima de Presidente Prudente.

Essa proximidade influenciou diretamente o desenvolvimento da região. Os moradores passaram a utilizar os serviços, os estabelecimentos comerciais, as oportunidades de trabalho, as instituições de saúde e outros equipamentos disponíveis em Presidente Prudente.

O desenvolvimento de vias como a Estrada da Amizade, a Avenida Juscelino Kubitschek e outras ligações regionais contribuiu para aproximar os bairros dos municípios vizinhos.

A pesquisa acadêmica de Vitor Koiti Miyazaki, defendida na UNESP em 2008, também contribui para compreender a integração urbana entre Álvares Machado e Presidente Prudente, analisando os deslocamentos e as relações estabelecidas entre esses municípios.

Assim, os bairros desenvolveram uma identidade própria, mantendo simultaneamente vínculos com Álvares Machado e com a cidade de Presidente Prudente.

OS PRIMEIROS MORADORES E AS DIFICULDADES DO INÍCIO

A implantação dos loteamentos representou uma oportunidade de aquisição de terrenos para famílias que procuravam construir suas próprias moradias. Entretanto, a chegada das primeiras famílias não foi acompanhada imediatamente pela instalação de toda a infraestrutura necessária.

Os relatos indicam que havia poucas casas, muitos terrenos vazios, ruas de terra e grandes áreas de vegetação.

Antônio Coissi recordou que, quando o empreendimento começou a ganhar forma, existiam aproximadamente 120 a 130 residências, número pequeno diante da quantidade de lotes disponíveis. O crescimento ocorreu gradualmente, com a chegada de famílias que construíram suas casas e passaram a formar uma comunidade.

José Lopes, que se mudou para o Jardim Panorama em 12 de janeiro de 1980, relatou que encontrou uma realidade ainda bastante diferente da atual.

Sua entrevista recupera um período em que os moradores precisavam organizar a própria infraestrutura doméstica, especialmente em relação à água e ao saneamento.

O morador também preserva um objeto que se tornou um importante registro material dessa época: um sarilho utilizado na perfuração de um poço construído em 1987.

Esse instrumento, confeccionado por ele próprio em madeira de peroba, permanece guardado como lembrança de um período em que o acesso à água dependia do esforço individual de cada família.

A ÁGUA, A ENERGIA ELÉTRICA E O SANEAMENTO

Entre os problemas mais recorrentes nos primeiros anos dos bairros estavam a falta de abastecimento regular de água, a ausência de rede de esgoto e as limitações da infraestrutura elétrica.

As famílias precisavam construir poços nos próprios terrenos e utilizar fossas para atender às necessidades domésticas.

José Lopes explicou que o poço construído em 1987 foi utilizado para abastecer sua residência e permitir a construção da casa.

Segundo seu relato, outros moradores também precisavam perfurar seus próprios poços. Em alguns momentos, enquanto um vizinho ainda não possuía abastecimento próprio, era possível utilizar a água de propriedades próximas.

O depoimento demonstra que a instalação de uma residência exigia muito mais do que a construção das paredes. Era necessário encontrar soluções para obter água, instalar banheiros, construir fossas e organizar o abastecimento doméstico.

Mauro, que chegou ao Parque dos Pinheiros em 1991 para trabalhar na escola, também recordou as dificuldades enfrentadas nesse período.

Para construir sua casa, precisava pagar um carroceiro para transportar água de uma região próxima à escola, utilizada na preparação do alicerce.

Segundo ele, aproximadamente um ano depois de sua chegada, a rede de abastecimento de água foi implantada, representando uma melhoria importante.

O desenvolvimento ocorreu em etapas. Primeiro, houve a expansão da energia elétrica; posteriormente, a chegada da água encanada e, em outro momento, a implantação da rede de esgoto.

A utilização de poços e fossas foi sendo abandonada conforme os serviços públicos se expandiram.

Clóvis também recordou os problemas relacionados à ausência de galerias pluviais. Em períodos de chuva, a água provocava erosões, desbarrancamentos e alagamentos em determinadas áreas.

Essas dificuldades demonstram que a infraestrutura não se desenvolveu de maneira imediata ou uniforme. Foi resultado de um processo gradual, marcado por reivindicações, investimentos e pela organização dos moradores.

O TRANSPORTE PÚBLICO E AS DIFICULDADES DE DESLOCAMENTO

A mobilidade foi outro aspecto importante da história do Parque dos Pinheiros e do Jardim Panorama.

Nos primeiros anos, o transporte coletivo era limitado e dependia das condições das estradas.

Segundo Antônio Coissi e outros entrevistados, a empresa Brasília realizava o atendimento inicial da região.

Entretanto, como as ruas ainda eram de terra, os ônibus encontravam dificuldades para circular, especialmente durante os períodos de chuva.

Em algumas situações, os veículos não conseguiam chegar até as residências, obrigando os moradores a caminhar até pontos mais distantes, inclusive nas proximidades do Prudentão.

Epaminondas Duarte Lima Neto, conhecido como Neto, chegou ao bairro em 1992 e confirmou essas dificuldades. Segundo ele, a linha da empresa Brasília atendia a entrada do bairro, mas não conseguia avançar por todas as ruas. Os moradores precisavam caminhar para alcançar o transporte.

Clóvis, que chegou no final de 1990, também recordou situações em que os ônibus atolavam e os passageiros precisavam completar o trajeto a pé.

Em dias de chuva, a situação podia se tornar ainda mais complicada, prejudicando trabalhadores e estudantes.

A substituição da empresa Brasília pela Jandaia representou uma nova etapa do transporte coletivo.

Os depoimentos apresentam diferentes referências temporais para essa transição. Antônio Cuisse situa a chegada da Jandaia aproximadamente em 1996, enquanto Mauro menciona 1989 e outros registros do documentário indicam a ampliação do atendimento a partir de 1993.

Essas diferenças foram preservadas porque representam lembranças individuais e referências documentais distintas.

O ponto mais importante é que a ampliação do transporte acompanhou o crescimento da população e a melhoria das condições de circulação.

Com a implantação de linhas e estruturas de atendimento mais adequadas, os moradores passaram a contar com melhores condições para se deslocar até Presidente Prudente.

O JARDIM PANORAMA E A HISTÓRIA DA ANTIGA ÁREA VERDE

Um dos capítulos mais importantes desta pesquisa está relacionado ao Jardim Panorama e à área atualmente conhecida pela população como Área Verde.

Os depoimentos e as fotografias antigas permitem recuperar uma realidade bastante diferente da paisagem encontrada atualmente.

Em uma fotografia registrada em 1985 por jovens moradores, identificados no verso da imagem, aparece uma área localizada nas proximidades da atual Área Verde.

O registro apresenta os seguintes nomes, da esquerda para a direita: Toninha, Cristina, Joaneta, Maria, Lourdes, Valdeir, Joel, Valdecir, Silvia, Lourdes, Vani e Samuel.

A imagem foi produzida a partir de um ponto da Rua Graça Aranha e permite identificar, ao fundo, a Rua Joaquim Nabuco e, à direita, a Avenida Castro Alves.

Naquela época, o local apresentava características predominantemente rurais, sendo utilizado como área de pastagem ou invernada.

Entretanto, os registros também revelam a existência de famílias que viviam em condições habitacionais precárias na região.

Mauro e outros entrevistados recordaram a existência de moradias improvisadas na região da Área Verde.

As casas eram construídas com madeira, zinco, pedaços de materiais reaproveitados e, em alguns casos, tijolos.

A precariedade das moradias estava associada à falta de infraestrutura e às condições ambientais do local.

Segundo os relatos, a área apresentava problemas de inundação e situações de risco sanitário, incluindo episódios de doenças como hepatite.

As condições também afetavam a vida das crianças, principalmente em relação à frequência e ao aproveitamento escolar.

É importante registrar que essas famílias fizeram parte da história da formação do bairro. A realidade habitacional daquele período não pode ser compreendida apenas pela paisagem ou pelas condições das construções, mas também pelas dificuldades sociais enfrentadas por seus moradores.

Os depoimentos relatam que, posteriormente, houve uma ação do poder público para retirar as famílias da área e transferi-las para moradias populares.

Segundo Mauro e outros moradores, as famílias foram cadastradas e receberam atendimento habitacional, sendo mencionada a construção de 72 casas destinadas a esse processo.

Epaminondas Duarte Lima Neto também recordou sua experiência pessoal, pois chegou a morar naquela ocupação em 1992. Ele descreveu a situação das moradias e as dificuldades vividas naquele período, além de mencionar a transferência das famílias para as novas casas.

As referências reunidas indicam que essas moradias passaram a ser conhecidas por alguns moradores como Cidade de Deus, embora essa denominação não tenha se consolidado como nome oficial do bairro.

Após a transferência das famílias, a área passou por um processo de regeneração da vegetação. As árvores que já existiam no local foram acompanhadas pelo crescimento natural da cobertura vegetal, resultando na paisagem arborizada que caracteriza a Área Verde atualmente.

A comparação entre a fotografia de 1985 e as imagens atuais permite observar uma transformação ambiental significativa.

Assim, a Área Verde representa duas dimensões da história do Jardim Panorama: a memória das famílias que viveram naquela região e a transformação de uma área anteriormente utilizada como pastagem e ocupação habitacional em um espaço de maior cobertura vegetal.

Preservar essa história significa reconhecer tanto a transformação ambiental quanto a trajetória das pessoas que fizeram parte daquele período.

A EDUCAÇÃO E A FORMAÇÃO DAS PRIMEIRAS ESCOLAS

A educação teve papel fundamental na consolidação dos bairros.

No início, as crianças precisavam se deslocar até outras regiões para estudar, pois ainda não existia uma estrutura escolar suficiente para atender a população.

Com o crescimento dos loteamentos, tornou-se necessário ampliar a oferta de ensino.

Os documentos municipais mencionados no documentário registram importantes etapas desse processo.

Em 26 de novembro de 1980, a Lei Municipal nº 1.278 autorizou a doação de uma área de cinco mil metros quadrados ao Estado de São Paulo, destinada à construção de um prédio escolar no Parque dos Pinheiros.

Em 25 de fevereiro de 1981, a Lei Municipal nº 1.280 autorizou convênio com a Conesp para a construção de uma escola rural com duas salas de aula.

Posteriormente, em 23 de dezembro de 1981, a Lei Municipal nº 1.306 voltou a tratar da construção de uma escola rural, mencionando quatro salas de aula.

Em 1982, por meio do Decreto Estadual nº 18.635, foi criada a Escola Estadual de Primeiro e Segundo Grau Panorama dos Pinheiros.

Em 1992, a unidade recebeu a denominação de Escola Estadual de Primeiro Grau Marechal do Ar, conforme a legislação estadual citada no levantamento.

O depoimento de Mauro demonstra que a escola ultrapassava sua função educacional.

Quando chegou à região em 1991, encontrou uma realidade na qual a escola e a igreja eram os principais pontos de encontro dos moradores.

Segundo ele, a unidade escolar também concentrava atividades relacionadas ao atendimento de saúde, à distribuição de leite, ao serviço postal, à comunicação e ao atendimento policial.

Era um espaço que reunia diferentes necessidades da comunidade.

Mauro também recordou que, durante determinado período, a escola possuía uma quadra descoberta, utilizada para campeonatos e atividades esportivas nos finais de semana.

A abertura do espaço para a comunidade contribuía para fortalecer a convivência e preservar o patrimônio escolar.

Com o passar dos anos, outras unidades educacionais foram implantadas, ampliando o atendimento às crianças e aos jovens.

Entre as instituições mencionadas estão a Escola Franco Montoro, a Marcelena, a unidade de educação infantil e a atual sede da Marechal do Ar.

A ampliação da rede escolar representou uma conquista importante para as famílias, reduzindo a necessidade de deslocamentos e fortalecendo a identidade dos bairros.

A SAÚDE E A AMPLIAÇÃO DOS SERVIÇOS PÚBLICOS

A saúde também acompanhou o processo de crescimento populacional.

Um registro importante aparece na Lei Municipal nº 1.319, de 29 de setembro de 1982, que autorizou a celebração de convênio para a instalação de um posto de atendimento sanitário no Parque dos Pinheiros.

Nos relatos dos moradores, o atendimento inicial aparece associado a estruturas bastante simples, inclusive instalações de madeira.

Com o crescimento da população, surgiram novas demandas e a necessidade de ampliar os serviços.

Mauro recordou que o atendimento de saúde chegou a funcionar em espaços relacionados à escola e que, posteriormente, foram construídas unidades próprias.

O documentário também registra a implantação de postos de saúde no Parque dos Pinheiros e no Jardim Panorama, além de uma ampliação posterior dos serviços.

Outro avanço importante foi a implantação de um dispensário municipal de medicamentos no Parque dos Pinheiros, inaugurado em setembro de 2022, com atendimento destinado também aos moradores do Jardim Panorama.

A estrutura representou uma ampliação do acesso aos medicamentos e uma forma de descentralizar os serviços de assistência farmacêutica.

Os moradores também destacaram a importância do asfalto para o atendimento de emergência. Antes da pavimentação, ambulâncias enfrentavam dificuldades para chegar às residências, especialmente em dias de chuva.

Com as melhorias nas vias, tornou-se possível ampliar o acesso dos veículos de emergência às casas.

O COMÉRCIO LOCAL E OS PRIMEIROS EMPREENDEDORES

A história do comércio é parte essencial da formação dos bairros.

Nos primeiros anos, a quantidade de estabelecimentos era muito pequena. Os moradores dependiam de poucos comerciantes para adquirir alimentos e produtos de necessidade diária.

Antônio Cuisse recordou que, quando o empreendimento começou a ganhar ocupação, o comércio era extremamente reduzido. Ele próprio participou dessa fase, contribuindo para o atendimento das primeiras famílias.

Posteriormente, outros estabelecimentos surgiram, acompanhando o aumento da população.

O depoimento de Neto é especialmente significativo porque recupera a trajetória de um comerciante que acompanhou diferentes etapas do desenvolvimento local.

Ele chegou ao bairro em 1992 e iniciou sua atividade comercial com um açougue conhecido como Casa de Caneto.

Segundo seu relato, naquela época os recursos eram limitados e o trabalho era realizado com equipamentos bastante simples.

Posteriormente, estabeleceu o Bar do Neto, que também passou a integrar a memória comercial da comunidade.

Com o tempo, o ponto foi destinado a outras atividades, e atualmente funciona no local um serviço de Pag Contas associado a um brechó, mantido por sua esposa.

Neto destacou a importância desse tipo de serviço para os moradores, especialmente idosos que dependem de transporte coletivo para realizar pagamentos e resolver questões bancárias em outras cidades.

Sua história representa a trajetória de pequenos empreendedores que começaram com poucos recursos e construíram suas atividades junto com o crescimento dos bairros.

Os depoimentos também mencionam comerciantes como Cido, Pedrinho, Santa Luzia, Souza, Laércio e Wagner.

Esses estabelecimentos contribuíram para atender as necessidades cotidianas das famílias.

Clóvis recordou as mudanças do Mercado Souza, que passou por diferentes pontos de funcionamento, acompanhando o desenvolvimento comercial da região.

Na etapa mais recente, os moradores passaram a contar com mercados maiores e uma variedade de estabelecimentos comerciais.

Também foram mencionados serviços de farmácia, alimentação, pequenos negócios e outras atividades que ampliaram a autonomia dos bairros.

O comércio, portanto, não representa apenas uma atividade econômica. Ele constitui parte da memória social, pois os estabelecimentos também funcionaram como pontos de encontro, convivência e relacionamento entre os moradores.

AS IGREJAS E A FORMAÇÃO DA IDENTIDADE RELIGIOSA

A religiosidade também ocupa um lugar importante na história do Parque dos Pinheiros e do Jardim Panorama.

Nos primeiros anos, as igrejas e capelas funcionavam como espaços de encontro, acolhimento e organização comunitária.

Os relatos de moradores demonstram que, com o crescimento populacional, diferentes denominações religiosas passaram a estabelecer suas atividades nos bairros.

Seu Clóvis, que chegou em 1990, destacou a importância das instituições religiosas na formação dos vínculos sociais.

Segundo ele, a ampliação das igrejas contribuiu para oferecer espaços de convivência, apoio espiritual e participação comunitária.

O documentário registra aproximadamente vinte igrejas entre os dois bairros, além de apresentar diferentes denominações.

Entre elas estão a Paróquia Nossa Senhora Aparecida, a Assembleia de Deus – Ministério Presidente Prudente, a Igreja Sinais de Deus, a Assembleia de Deus Madureira Brás, a Igreja Cristo Verdade que Liberta, a Igreja do Evangelho Quadrangular, a Congregação Cristã no Brasil – Jardim Panorama, a Congregação Cristã no Brasil – Parque dos Pinheiros, a Assembleia de Deus Viva, a Igreja Pentecostal Deus é Amor, a Igreja Tabernáculo da Fé, a Igreja Presbiteriana do Brasil, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, a Assembleia de Deus Semeando Paz, a Igreja Batista Família Reviver, a Igreja Internacional da Graça de Deus, a Assembleia de Deus Ministério Belém, a Igreja Evangélica Templo de Adoração e a Igreja Avivamento Bíblico.

A diversidade religiosa demonstra como os espaços de fé passaram a integrar a organização social dos bairros.

O registro dessa trajetória é importante porque a história comunitária também é construída pelas instituições que promovem acolhimento, solidariedade e convivência.

A CULTURA, A MÚSICA E OS PROJETOS SOCIAIS

O desenvolvimento dos bairros não ocorreu apenas por meio das construções e da infraestrutura. A cultura também passou a desempenhar um papel importante na formação das novas gerações.

Um dos exemplos mais expressivos é a Banda Musical Onze de Julho, cujo projeto teve início no ano 2000.

Em entrevista, Odair relatou que foi convidado para desenvolver uma atividade cultural no Parque dos Pinheiros, em um período no qual a comunidade ainda apresentava poucas opções de entretenimento.

O trabalho começou com uma fanfarra e, gradualmente, foi ampliado com a aquisição de instrumentos e a formação de uma banda musical.

Entre os instrumentos utilizados estão trompetes, trombones, bombardinos, tubas e saxofones, além da formação de corpo coreográfico e linha de frente.

Segundo o entrevistado, mais de dois mil alunos já passaram pelo projeto ao longo de seus 26 anos de atividades.

A banda também participou de festivais, concursos, apresentações em outras cidades e eventos internacionais. Foram relatadas mais de 300 apresentações e a conquista de diversos títulos.

Entretanto, sua importância não está apenas nas apresentações.

O projeto ofereceu oportunidades de aprendizagem, disciplina, convivência e desenvolvimento pessoal para crianças e adolescentes.

Odair destacou que muitos alunos que começaram ainda crianças permaneceram vinculados à banda, alguns deles retornando posteriormente como instrutores e colaboradores, enquanto seus próprios filhos passaram a participar.

Essa continuidade demonstra a formação de vínculos entre diferentes gerações.

O entrevistado também ressaltou a contribuição da música para oferecer alternativas de lazer e participação social aos jovens.

Além da banda, foram mencionadas iniciativas como atividades esportivas, karatê, futebol e o Projeto Guri.

Essas experiências demonstram que a construção de uma comunidade envolve também oportunidades de educação, cultura e desenvolvimento humano.

O ESPORTE E OS ESPAÇOS DE CONVIVÊNCIA

O futebol também aparece de maneira recorrente nas lembranças dos moradores.

Antes da implantação de espaços esportivos estruturados, as crianças e os jovens utilizavam terrenos disponíveis para organizar pequenas partidas.

Mauro recordou a existência de equipes que movimentavam a comunidade, destacando o Marajá e o Flamenguim entre os times conhecidos.

Com a implantação do campo de futebol, os torneios passaram a reunir diferentes equipes e moradores.

Em 1º de abril de 1996, a Lei Municipal nº 2.002 estabeleceu a denominação Estádio Municipal Gerson Corrêa para o campo localizado na região dos bairros.

O espaço passou a representar um importante ponto de encontro para atividades esportivas e de lazer.

Além do futebol, a realização de festivais, apresentações culturais e eventos comunitários contribuiu para fortalecer a convivência entre as famílias.

A PARTICIPAÇÃO DOS MORADORES E AS REIVINDICAÇÕES POR MELHORIAS

Uma das características mais importantes da história dos bairros foi a mobilização dos próprios moradores.

A ausência de infraestrutura provocou reivindicações por água, energia elétrica, iluminação pública, transporte, pavimentação, coleta de lixo e atendimento de saúde.

Mauro recordou a atuação da associação de moradores, destacando que a organização comunitária foi fundamental para cobrar melhorias.

Clóvis também relatou a participação das mulheres, que procuravam os meios de comunicação para reivindicar serviços e chamar a atenção das autoridades.

Segundo ele, a Rádio Comercial era utilizada como canal para apresentar os problemas da comunidade, especialmente as dificuldades relacionadas à falta de abastecimento de água.

Essas lembranças mostram a importância da comunicação comunitária como instrumento de mobilização social.

A participação política também aparece nos registros históricos do documentário.

Ao longo das décadas, moradores ligados aos bairros ocuparam cargos no Legislativo Municipal, contribuindo para ampliar a representação dessas comunidades.

Entre os nomes mencionados estão Cícero Lacerda da Silva, João Gibi, Carlos José Ribeiro, Lenice Messias dos Santos Ribeiro e Joel Nunes de Almeida.

Também se registra a trajetória de Roger Fernandes Gasques, morador do Parque dos Pinheiros, que assumiu a Prefeitura em 2019 e foi eleito prefeito para o mandato iniciado em 2021.

Essas informações demonstram que a história dos bairros também se relaciona à participação de seus moradores na vida pública de Álvares Machado.

A PAVIMENTAÇÃO E A TRANSFORMAÇÃO DAS RUAS

A transformação das ruas representa uma das mudanças mais visíveis na paisagem dos bairros.

Durante muitos anos, diversas vias permaneceram sem pavimentação.

Em períodos de chuva, os moradores enfrentavam lama, buracos, erosões e dificuldades de circulação.

Clóvis recordou que, no início da década de 1990, a manutenção das estradas de terra não era suficiente para garantir boas condições de tráfego.

Segundo seu depoimento, o asfalto começou a chegar à região no final de 1991, especialmente na linha utilizada pelo transporte coletivo.

Mauro, por sua vez, recordou que a Rua Junqueira Freire recebeu pavimentação aproximadamente em 1999.

Essas informações mostram que o processo ocorreu gradualmente, em diferentes etapas e períodos.

O documentário apresenta fotografias antigas e atuais de diferentes ruas, permitindo observar as mudanças ocorridas na infraestrutura.

No Jardim Panorama, foram registradas comparações de locais como Rua Júlio Ribeiro, Rua Inglês de Sousa, Avenida Vinícius de Moraes, Avenida Castro Alves, Rua Clóvis B. Vilácoa, Rua Manoel Bandeira, Rua Coelho Neto, Rua Evaristo da Veiga, Rua Silva Ramos, Rua Souza Caldas e Rua Visconde Taunay, além da Rua Graça Aranha.

No Parque dos Pinheiros, as imagens destacam a Avenida Vinícius de Moraes, a Avenida José de Alencar, a Rua Joaquim Serra e a Rua Junqueira Freire, além da Rua Martins Pena.

As fotografias foram disponibilizadas por colaboradores, entre eles o ex-vereador Carlos José Ribeiro, o presidente da Câmara Municipal Joel Nunes de Almeida, Mauro Rigonato e Pedro Alves Pereira Santana.

Os registros mostram que algumas ruas receberam pavimentação em períodos anteriores a 2022.

Posteriormente, a partir de 2022, novas intervenções ampliaram a pavimentação, e as imagens atuais permitem observar o resultado dessas transformações.

Durante a gestão municipal de Roger Fernandes Gasques, entre 2021 e 2024, foram registradas intervenções importantes, incluindo a conclusão da pavimentação das ruas dos bairros e a construção de uma ciclovia no Parque dos Pinheiros, conforme o levantamento apresentado no documentário.

É importante reconhecer que a infraestrutura foi construída ao longo de diferentes períodos e administrações municipais, resultado de um processo contínuo de reivindicações e investimentos.

A ÁREA DE SAÚDE, O CENTRO DE APOIO AO IDOSO E OS NOVOS EQUIPAMENTOS

A expansão dos serviços públicos acompanhou o crescimento das residências e da população.

Um exemplo dessa transformação pode ser observado na Rua Joaquim Serra, no Parque dos Pinheiros.

Segundo Mauro, o local onde atualmente funciona o Centro de Apoio ao Idoso era anteriormente um terreno baldio.

O mesmo tipo de transformação pode ser observado em outros espaços que passaram a receber equipamentos públicos e estruturas de atendimento.

O novo posto de saúde e o dispensário municipal de medicamentos representam parte desse processo de ampliação dos serviços.

Essas mudanças demonstram que espaços anteriormente vazios ou pouco utilizados passaram a desempenhar funções importantes para o atendimento da população.

A comparação entre fotografias antigas e atuais permite compreender como o crescimento urbano modificou não apenas as ruas, mas também o uso dos terrenos e a organização dos espaços comunitários.

A EVOLUÇÃO POPULACIONAL E A DIMENSÃO ATUAL DOS BAIRROS

O crescimento populacional foi um dos fatores responsáveis pela ampliação das demandas por serviços públicos e infraestrutura.

Durante a pesquisa, foram solicitadas informações oficiais à Prefeitura Municipal de Álvares Machado.

Em resposta ao requerimento protocolado em 25 de junho de 2026, o município encaminhou o Ofício nº 14/2026, datado de 13 de julho de 2026, contendo estimativas populacionais para os três bairros.

Segundo os dados apresentados, o Parque dos Pinheiros I possui população estimada de 1.819 habitantes, o Parque dos Pinheiros II possui 475 habitantes e o Jardim Panorama possui 2.578 habitantes. Juntos, os três bairros totalizam uma estimativa de 4.872 habitantes.

A estimativa foi elaborada com base nos imóveis residenciais cadastrados pela Divisão de Tributação, utilizando o critério de 2,76 moradores por residência.

A Prefeitura esclareceu que os números são estimativas técnicas e não correspondem a uma contagem censitária realizada diretamente nos bairros.

O documentário também apresenta dados eleitorais da 182ª Zona Eleitoral relacionados à EMEIF Márcia Helena Fernandes de Araújo, que registra 3.960 eleitores aptos.

É necessário diferenciar os dois indicadores: a estimativa populacional considera os moradores, enquanto o registro eleitoral contabiliza pessoas aptas a votar.

Esses números ajudam a compreender a dimensão das comunidades e sua importância dentro do município.

O DESENVOLVIMENTO REGIONAL E AS PERSPECTIVAS FUTURAS

A expansão urbana observada no Parque dos Pinheiros e no Jardim Panorama também está relacionada ao surgimento de novos empreendimentos nas áreas próximas.

Os depoimentos mencionam o crescimento de loteamentos e conjuntos habitacionais no entorno, além da presença de instituições de ensino e novas possibilidades de ocupação territorial.

Antônio Cuisse relatou a existência de áreas que ainda poderão receber novos empreendimentos habitacionais, demonstrando que a região continua despertando interesse para a expansão urbana.

Durante a entrevista, também foi mencionada a necessidade de melhorias em acessos rodoviários, especialmente em relação à circulação na região da estrada do quilômetro 44.

Essas observações representam perspectivas apresentadas pelo entrevistado, não devendo ser confundidas com obras já executadas ou projetos oficialmente aprovados.

O crescimento futuro exigirá planejamento urbano, mobilidade, preservação ambiental, ampliação dos serviços públicos e atenção às necessidades das famílias que já residem nos bairros.

A IMPORTÂNCIA DA MEMÓRIA E DOS DEPOIMENTOS DOS MORADORES

Um dos principais resultados desta pesquisa foi perceber que a história dos bairros não está concentrada em uma única pessoa ou instituição. Ela está distribuída nas lembranças de diferentes gerações.

Antônio Cuisse representa a memória da implantação dos loteamentos e da formação dos empreendimentos.

José Lopes preserva a lembrança material dos primeiros poços, por meio do sarilho construído e utilizado em 1987.

Mauro recupera a história da escola, das dificuldades de infraestrutura, dos espaços esportivos e da organização comunitária.

Clóvis apresenta as lembranças dos primeiros anos de ocupação, do transporte coletivo, das reivindicações por melhorias e da transformação da Área Verde.

Irmã Lourdes, que chegou ao bairro em 1993, descreve uma realidade marcada por poucas casas, terrenos vazios, comércio reduzido e dificuldades de atendimento público. Sua comparação com o presente demonstra a dimensão do crescimento ocorrido.

Epaminondas Duarte Lima Neto registra a história do comércio, desde a Casa de Caneto e o Bar do Neto até os serviços que atualmente atendem a população.

Dona Maria contribui com a memória da formação rural e das famílias que antecederam a expansão urbana.

Renato Nizobi preserva a história da fotografia, das tradições familiares e das transformações tecnológicas que modificaram a maneira de registrar acontecimentos.

Odair apresenta a trajetória da Banda Musical Onze de Julho e a importância dos projetos culturais para a formação dos jovens.

Outros depoimentos e registros complementam essas narrativas, demonstrando que a memória coletiva é construída por diferentes experiências.

Cada entrevistado apresenta uma perspectiva particular. Algumas lembranças possuem datas aproximadas, outras são acompanhadas de documentos e fotografias. Por isso, a pesquisa procurou respeitar as informações de cada fonte, sem transformar lembranças individuais em afirmações históricas absolutas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A história do Parque dos Pinheiros I, Parque dos Pinheiros II e Jardim Panorama revela uma trajetória de transformação marcada pela perseverança das famílias, pela organização comunitária e pela ampliação gradual da infraestrutura urbana.

O que inicialmente representava uma região com poucas residências, terrenos vazios, ruas de terra e serviços limitados tornou-se uma comunidade com milhares de moradores, estabelecimentos comerciais, escolas, unidades de saúde, instituições religiosas e projetos culturais.

As dificuldades enfrentadas pelas primeiras famílias demonstram que o desenvolvimento urbano não acontece de maneira automática. Ele exige participação social, planejamento, investimentos e, principalmente, o envolvimento das pessoas que vivem no território.

O Jardim Panorama possui uma trajetória particular, especialmente pela história da antiga Área Verde, pelas famílias que viveram naquela região e pelas transformações ambientais e habitacionais que ocorreram ao longo das décadas.

O Parque dos Pinheiros, por sua vez, apresenta uma história diretamente relacionada à implantação dos primeiros loteamentos, ao desenvolvimento do comércio, à expansão das escolas, à construção de equipamentos públicos e à formação de projetos culturais que alcançaram diferentes gerações.

Entretanto, os dois bairros compartilham uma história profundamente conectada. Suas conquistas, dificuldades e transformações fazem parte de um mesmo processo de formação comunitária.

O projeto Túnel do Tempo: Relembrando Histórias do Seu Bairro procurou demonstrar que preservar a memória local é também reconhecer a importância de pessoas que, muitas vezes, não aparecem nos registros oficiais, mas que participaram diretamente da construção da comunidade.

As fotografias antigas mostram como eram as ruas. Os documentos ajudam a identificar as decisões administrativas. As pesquisas acadêmicas contextualizam a expansão territorial. Mas são os depoimentos que permitem compreender como as transformações foram vividas pelas famílias.

A produção do documentário e deste artigo representa, portanto, uma contribuição educativa, cultural e social para Álvares Machado.

Mais do que recordar o passado, o objetivo é permitir que as novas gerações conheçam as dificuldades enfrentadas, reconheçam as conquistas alcançadas e compreendam que a história dos bairros continua sendo construída diariamente.

O Parque dos Pinheiros e o Jardim Panorama não são apenas lugares onde as pessoas moram. São comunidades construídas por histórias, famílias, trabalho, sonhos e conquistas. Preservar essa trajetória é garantir que as próximas gerações saibam de onde vieram e reconheçam o valor daqueles que ajudaram a construir o lugar que hoje chamam de lar.

Nenhum comentário:

Postagem em destaque

Atividade de Extensão Unicesumar "Túnel do Tempo: Relembrando histórias do seu bairro. Histórias que construíram Álvares Machado: Memórias do Parque dos Pinheiros e Jardim Panorama"

Avenida Castro Alves - Entre Panorama e Parque dos Pinheiros RESUMO Este artigo apresenta um levantamento histórico e cultural sobre a for...