RESUMO
Este artigo apresenta um levantamento histórico e cultural
sobre a formação e o desenvolvimento dos bairros Parque dos Pinheiros I, Parque
dos Pinheiros II e Jardim Panorama, localizados no município de Álvares
Machado, interior do Estado de São Paulo. A pesquisa foi desenvolvida por meio
de entrevistas com moradores antigos, pioneiros, comerciantes e pessoas que
acompanharam diferentes períodos de transformação da comunidade, além da
análise de fotografias, documentos públicos, registros legislativos e referências
acadêmicas. O trabalho recupera a origem dos loteamentos, as dificuldades
enfrentadas pelas primeiras famílias, a ausência de infraestrutura, as
conquistas relacionadas ao abastecimento de água, energia elétrica, saneamento,
transporte, educação, saúde e pavimentação. Também registra a importância do
comércio, das instituições religiosas, dos projetos culturais e da participação
comunitária. O Jardim Panorama recebe atenção especial pela história de sua
ocupação, pela antiga área conhecida como Área Verde e pelas mudanças ocorridas
em sua paisagem. O Parque dos Pinheiros, por sua vez, é apresentado a partir de
sua formação, expansão territorial, organização comunitária e consolidação como
importante núcleo residencial de Álvares Machado. A pesquisa procura preservar
a memória coletiva e transmitir às novas gerações as experiências de quem
participou diretamente dessa trajetória.
Palavras-chave: Memória coletiva. História local.
Parque dos Pinheiros. Jardim Panorama. Álvares Machado. Patrimônio cultural.
INTRODUÇÃO
Uma comunidade não é construída apenas por ruas, casas,
prédios ou obras públicas. Sua história também é formada pelas pessoas que
chegaram primeiro, pelas famílias que estabeleceram suas moradias, pelos
comerciantes que iniciaram pequenos negócios, pelos professores que
contribuíram para a educação e por todos aqueles que, de alguma maneira,
participaram de sua transformação.
É a partir dessa compreensão que se desenvolve o projeto
extensionista Túnel do Tempo: Relembrando Histórias do Seu Bairro,
realizado pela Unicesumar, Polo Presidente Prudente, com o propósito de
registrar e compartilhar a história dos bairros Parque dos Pinheiros I, Parque
dos Pinheiros II e Jardim Panorama, pertencentes ao município de Álvares
Machado.
A pesquisa surgiu da necessidade de preservar informações
que, muitas vezes, permanecem apenas na memória dos moradores mais antigos. São
histórias sobre um período em que as ruas ainda eram de terra, havia poucas
residências, o transporte coletivo apresentava dificuldades e as famílias
precisavam encontrar soluções próprias para necessidades básicas, como o
abastecimento de água.
Ao longo do levantamento, foram realizadas entrevistas com
moradores e pessoas diretamente relacionadas à história dos bairros. Entre os
participantes estão Antônio Cuisse, José Lopes, Epaminondas Duarte Lima Neto,
conhecido como Neto, Mauro, Clóvis, Irmã Lourdes, Dona Maria, Renato Nizobi e
Odair, além de outros colaboradores que contribuíram com fotografias,
documentos e informações.
O trabalho também reuniu registros da Prefeitura Municipal,
da Câmara Municipal de Álvares Machado, informações legislativas, fotografias
antigas e atuais e referências acadêmicas, especialmente os estudos de Vitor
Koiti Miyazaki sobre a aglomeração urbana entre Álvares Machado, Presidente
Prudente e Regente Feijó.
Inicialmente, a proposta previa a coleta de depoimentos e a
divulgação das informações em canais de comunicação. Entretanto, diante da
quantidade de histórias e documentos encontrados, o projeto foi ampliado para a
produção de um videodocumentário, complementado por este
artigo.
É importante esclarecer que esta pesquisa não pretende
esgotar todos os acontecimentos históricos dos bairros, tampouco substituir um
estudo historiográfico aprofundado. Seu objetivo é organizar os registros
disponíveis, preservar as memórias e apresentar à comunidade uma narrativa
fundamentada nas fontes consultadas.
CONTEXTO HISTÓRICO DE ÁLVARES MACHADO E A FORMAÇÃO DA
REGIÃO
Para compreender a formação do Parque dos Pinheiros e do
Jardim Panorama, é necessário considerar o processo de desenvolvimento de
Álvares Machado e sua relação com Presidente Prudente.
A história do município está relacionada à expansão da
ocupação territorial no Oeste Paulista, à agricultura, à chegada de imigrantes
e à implantação de importantes vias de circulação.
A Estrada de Ferro Sorocabana teve papel significativo nesse
processo. Conforme os relatos reunidos, a ferrovia possibilitava o transporte
de passageiros e mercadorias, incluindo café, madeira e animais, além de
conectar a região a outros centros urbanos.
O senhor Antônio Negri, que chegou ainda bebê à região, por volta
de 1941, recordou que, durante sua infância, era necessário caminhar por longas
distâncias para estudar na cidade. Seu relato também recupera a presença de
antigas empresas compradoras de café e o movimento proporcionado pela ferrovia.
As lembranças de Dona Maria ajudam a ampliar esse contexto.
Nascida em 08 de setembro de 1939, ela descreveu uma infância marcada pela vida
rural, pela convivência familiar e pelo trabalho no sítio dos avós.
A família, de origem italiana, cultivava café, plantava
alimentos, cuidava dos animais, produzia parte do próprio sustento e utilizava
água de minas e poços. A iluminação era feita por lampiões a querosene, e
muitas necessidades eram resolvidas dentro da própria propriedade.
Dona Maria também recordou as dificuldades de deslocamento
para atendimento médico, relatando que, quando nasceu, foi necessário recorrer
ao único táxi que havia na cidade, pertencente ao senhor conhecido como
Pascolão.
Essas lembranças demonstram como a região passou por
transformações profundas entre uma realidade predominantemente rural e a
expansão dos espaços urbanos.
A presença de famílias italianas e japonesas também integra
essa história. A imigração contribuiu para a formação econômica, cultural e
social de Álvares Machado, deixando marcas no comércio, na agricultura, nas
tradições familiares e nas instituições da cidade.
O depoimento de Renato Nizobi acrescenta outro elemento
importante: a história da fotografia em Álvares Machado. Sua família manteve
uma trajetória ligada à atividade fotográfica, iniciada pela geração de seus
avós e continuada por sua mãe, que trabalhou durante décadas registrando
casamentos, aniversários e acontecimentos familiares.
A antiga fotografia em preto e branco, os equipamentos de
filme e os processos de revelação representam não apenas a evolução
tecnológica, mas também uma forma de preservar a memória das famílias
machadenses.
A ORIGEM DOS LOTEAMENTOS PARQUE DOS PINHEIROS E JARDIM
PANORAMA
Um dos pontos centrais desta pesquisa foi compreender como
surgiram os bairros Parque dos Pinheiros I, Parque dos Pinheiros II e Jardim
Panorama.
O depoimento de Antônio Coissi, ligado diretamente à
implantação dos loteamentos, foi fundamental para esclarecer essa questão.
Segundo ele, a família adquiriu uma área de terras em 1975.
Posteriormente, em 1978, iniciou-se a articulação para implantação de um grande
empreendimento imobiliário, envolvendo aproximadamente 25 alqueires
pertencentes à família e outros 30 alqueires de uma propriedade vizinha.
A proposta inicial estava vinculada à incorporadora Iorque,
que reuniu diferentes áreas em um único projeto. Entretanto, dificuldades
comerciais e administrativas impediram a continuidade do empreendimento nos
moldes inicialmente planejados.
Diante da situação, os responsáveis precisaram assumir
compromissos já estabelecidos com compradores. Assim, ocorreram desdobramentos
empresariais: Pedro Dib passou a atuar por meio da incorporadora Arco Verde,
enquanto a família Coissi deu continuidade à sua parte por meio da
incorporadora São José.
Conforme o entrevistado, a incorporadora São José ficou
responsável pelo desenvolvimento do Parque dos Pinheiros I e II, enquanto o
Jardim Panorama teve continuidade vinculada à Arco Verde.
Os depoimentos também recuperam uma denominação anterior,
identificada como Nova York ou Vila Nova York. Essa denominação aparece nas
lembranças de moradores e nos relatos sobre a origem do empreendimento.
Posteriormente, os loteamentos passaram a receber as
denominações pelas quais são conhecidos atualmente.
A escolha dos nomes também foi esclarecida durante a
entrevista com Antônio Cuisse. Segundo ele, a denominação Parque dos Pinheiros
foi escolhida de maneira sugestiva, inspirada na presença de árvores e de uma
vegetação expressiva na região. Não existia, necessariamente, um plantio de
pinheiros que justificasse literalmente o nome. Já a denominação Panorama foi
relacionada à vista panorâmica existente na área.
Essa informação é importante porque permite registrar a
origem dos nomes a partir de quem participou diretamente do processo de
implantação dos loteamentos.
Embora administrativamente pertençam a Álvares Machado, os
bairros Parque dos Pinheiros e Jardim Panorama possuem uma relação geográfica e
cotidiana muito próxima de Presidente Prudente.
Essa proximidade influenciou diretamente o desenvolvimento
da região. Os moradores passaram a utilizar os serviços, os estabelecimentos
comerciais, as oportunidades de trabalho, as instituições de saúde e outros
equipamentos disponíveis em Presidente Prudente.
O desenvolvimento de vias como a Estrada da Amizade, a
Avenida Juscelino Kubitschek e outras ligações regionais contribuiu para
aproximar os bairros dos municípios vizinhos.
A pesquisa acadêmica de Vitor Koiti Miyazaki, defendida na
UNESP em 2008, também contribui para compreender a integração urbana entre
Álvares Machado e Presidente Prudente, analisando os deslocamentos e as
relações estabelecidas entre esses municípios.
Assim, os bairros desenvolveram uma identidade própria,
mantendo simultaneamente vínculos com Álvares Machado e com a cidade de
Presidente Prudente.
OS PRIMEIROS MORADORES E AS DIFICULDADES DO INÍCIO
A implantação dos loteamentos representou uma oportunidade
de aquisição de terrenos para famílias que procuravam construir suas próprias
moradias. Entretanto, a chegada das primeiras famílias não foi acompanhada
imediatamente pela instalação de toda a infraestrutura necessária.
Os relatos indicam que havia poucas casas, muitos terrenos
vazios, ruas de terra e grandes áreas de vegetação.
Antônio Coissi recordou que, quando o empreendimento começou
a ganhar forma, existiam aproximadamente 120 a 130 residências, número pequeno
diante da quantidade de lotes disponíveis. O crescimento ocorreu gradualmente,
com a chegada de famílias que construíram suas casas e passaram a formar uma
comunidade.
José Lopes, que se mudou para o Jardim Panorama em 12 de
janeiro de 1980, relatou que encontrou uma realidade ainda bastante diferente
da atual.
Sua entrevista recupera um período em que os moradores
precisavam organizar a própria infraestrutura doméstica, especialmente em
relação à água e ao saneamento.
O morador também preserva um objeto que se tornou um
importante registro material dessa época: um sarilho utilizado na perfuração de
um poço construído em 1987.
Esse instrumento, confeccionado por ele próprio em madeira
de peroba, permanece guardado como lembrança de um período em que o acesso à
água dependia do esforço individual de cada família.
A ÁGUA, A ENERGIA ELÉTRICA E O SANEAMENTO
Entre os problemas mais recorrentes nos primeiros anos dos
bairros estavam a falta de abastecimento regular de água, a ausência de rede de
esgoto e as limitações da infraestrutura elétrica.
As famílias precisavam construir poços nos próprios terrenos
e utilizar fossas para atender às necessidades domésticas.
José Lopes explicou que o poço construído em 1987 foi
utilizado para abastecer sua residência e permitir a construção da casa.
Segundo seu relato, outros moradores também precisavam
perfurar seus próprios poços. Em alguns momentos, enquanto um vizinho ainda não
possuía abastecimento próprio, era possível utilizar a água de propriedades
próximas.
O depoimento demonstra que a instalação de uma residência
exigia muito mais do que a construção das paredes. Era necessário encontrar
soluções para obter água, instalar banheiros, construir fossas e organizar o
abastecimento doméstico.
Mauro, que chegou ao Parque dos Pinheiros em 1991 para
trabalhar na escola, também recordou as dificuldades enfrentadas nesse período.
Para construir sua casa, precisava pagar um carroceiro para
transportar água de uma região próxima à escola, utilizada na preparação do
alicerce.
Segundo ele, aproximadamente um ano depois de sua chegada, a
rede de abastecimento de água foi implantada, representando uma melhoria
importante.
O desenvolvimento ocorreu em etapas. Primeiro, houve a
expansão da energia elétrica; posteriormente, a chegada da água encanada e, em
outro momento, a implantação da rede de esgoto.
A utilização de poços e fossas foi sendo abandonada conforme
os serviços públicos se expandiram.
Clóvis também recordou os problemas relacionados à ausência
de galerias pluviais. Em períodos de chuva, a água provocava erosões,
desbarrancamentos e alagamentos em determinadas áreas.
Essas dificuldades demonstram que a infraestrutura não se
desenvolveu de maneira imediata ou uniforme. Foi resultado de um processo
gradual, marcado por reivindicações, investimentos e pela organização dos
moradores.
O TRANSPORTE PÚBLICO E AS DIFICULDADES DE DESLOCAMENTO
A mobilidade foi outro aspecto importante da história do
Parque dos Pinheiros e do Jardim Panorama.
Nos primeiros anos, o transporte coletivo era limitado e
dependia das condições das estradas.
Segundo Antônio Coissi e outros entrevistados, a empresa
Brasília realizava o atendimento inicial da região.
Entretanto, como as ruas ainda eram de terra, os ônibus
encontravam dificuldades para circular, especialmente durante os períodos de
chuva.
Em algumas situações, os veículos não conseguiam chegar até
as residências, obrigando os moradores a caminhar até pontos mais distantes,
inclusive nas proximidades do Prudentão.
Epaminondas Duarte Lima Neto, conhecido como Neto, chegou ao
bairro em 1992 e confirmou essas dificuldades. Segundo ele, a linha da empresa
Brasília atendia a entrada do bairro, mas não conseguia avançar por todas as
ruas. Os moradores precisavam caminhar para alcançar o transporte.
Clóvis, que chegou no final de 1990, também recordou
situações em que os ônibus atolavam e os passageiros precisavam completar o
trajeto a pé.
Em dias de chuva, a situação podia se tornar ainda mais
complicada, prejudicando trabalhadores e estudantes.
A substituição da empresa Brasília pela Jandaia representou
uma nova etapa do transporte coletivo.
Os depoimentos apresentam diferentes referências temporais
para essa transição. Antônio Cuisse situa a chegada da Jandaia aproximadamente
em 1996, enquanto Mauro menciona 1989 e outros registros do documentário
indicam a ampliação do atendimento a partir de 1993.
Essas diferenças foram preservadas porque representam
lembranças individuais e referências documentais distintas.
O ponto mais importante é que a ampliação do transporte
acompanhou o crescimento da população e a melhoria das condições de circulação.
Com a implantação de linhas e estruturas de atendimento mais
adequadas, os moradores passaram a contar com melhores condições para se
deslocar até Presidente Prudente.
O JARDIM PANORAMA E A HISTÓRIA DA ANTIGA ÁREA VERDE
Um dos capítulos mais importantes desta pesquisa está
relacionado ao Jardim Panorama e à área atualmente conhecida pela população
como Área Verde.
Os depoimentos e as fotografias antigas permitem recuperar
uma realidade bastante diferente da paisagem encontrada atualmente.
Em uma fotografia registrada em 1985 por jovens moradores,
identificados no verso da imagem, aparece uma área localizada nas proximidades
da atual Área Verde.
O registro apresenta os seguintes nomes, da esquerda para a
direita: Toninha, Cristina, Joaneta, Maria, Lourdes, Valdeir, Joel, Valdecir,
Silvia, Lourdes, Vani e Samuel.
A imagem foi produzida a partir de um ponto da Rua Graça
Aranha e permite identificar, ao fundo, a Rua Joaquim Nabuco e, à direita, a
Avenida Castro Alves.
Naquela época, o local apresentava características
predominantemente rurais, sendo utilizado como área de pastagem ou invernada.
Entretanto, os registros também revelam a existência de
famílias que viviam em condições habitacionais precárias na região.
Mauro e outros entrevistados recordaram a existência de
moradias improvisadas na região da Área Verde.
As casas eram construídas com madeira, zinco, pedaços de
materiais reaproveitados e, em alguns casos, tijolos.
A precariedade das moradias estava associada à falta de
infraestrutura e às condições ambientais do local.
Segundo os relatos, a área apresentava problemas de
inundação e situações de risco sanitário, incluindo episódios de doenças como
hepatite.
As condições também afetavam a vida das crianças,
principalmente em relação à frequência e ao aproveitamento escolar.
É importante registrar que essas famílias fizeram parte da
história da formação do bairro. A realidade habitacional daquele período não
pode ser compreendida apenas pela paisagem ou pelas condições das construções,
mas também pelas dificuldades sociais enfrentadas por seus moradores.
Os depoimentos relatam que, posteriormente, houve uma ação
do poder público para retirar as famílias da área e transferi-las para moradias
populares.
Segundo Mauro e outros moradores, as famílias foram
cadastradas e receberam atendimento habitacional, sendo mencionada a construção
de 72 casas destinadas a esse processo.
Epaminondas Duarte Lima Neto também recordou sua experiência
pessoal, pois chegou a morar naquela ocupação em 1992. Ele descreveu a situação
das moradias e as dificuldades vividas naquele período, além de mencionar a
transferência das famílias para as novas casas.
As referências reunidas indicam que essas moradias passaram
a ser conhecidas por alguns moradores como Cidade de Deus, embora essa
denominação não tenha se consolidado como nome oficial do bairro.
Após a transferência das famílias, a área passou por um
processo de regeneração da vegetação. As árvores que já existiam no local foram
acompanhadas pelo crescimento natural da cobertura vegetal, resultando na
paisagem arborizada que caracteriza a Área Verde atualmente.
A comparação entre a fotografia de 1985 e as imagens atuais
permite observar uma transformação ambiental significativa.
Assim, a Área Verde representa duas dimensões da história do
Jardim Panorama: a memória das famílias que viveram naquela região e a
transformação de uma área anteriormente utilizada como pastagem e ocupação
habitacional em um espaço de maior cobertura vegetal.
Preservar essa história significa reconhecer tanto a
transformação ambiental quanto a trajetória das pessoas que fizeram parte
daquele período.
A EDUCAÇÃO E A FORMAÇÃO DAS PRIMEIRAS ESCOLAS
A educação teve papel fundamental na consolidação dos
bairros.
No início, as crianças precisavam se deslocar até outras
regiões para estudar, pois ainda não existia uma estrutura escolar suficiente
para atender a população.
Com o crescimento dos loteamentos, tornou-se necessário
ampliar a oferta de ensino.
Os documentos municipais mencionados no documentário
registram importantes etapas desse processo.
Em 26 de novembro de 1980, a Lei Municipal nº 1.278
autorizou a doação de uma área de cinco mil metros quadrados ao Estado de São
Paulo, destinada à construção de um prédio escolar no Parque dos Pinheiros.
Em 25 de fevereiro de 1981, a Lei Municipal nº 1.280
autorizou convênio com a Conesp para a construção de uma escola rural com duas
salas de aula.
Posteriormente, em 23 de dezembro de 1981, a Lei Municipal
nº 1.306 voltou a tratar da construção de uma escola rural, mencionando quatro
salas de aula.
Em 1982, por meio do Decreto Estadual nº 18.635, foi criada
a Escola Estadual de Primeiro e Segundo Grau Panorama dos Pinheiros.
Em 1992, a unidade recebeu a denominação de Escola Estadual
de Primeiro Grau Marechal do Ar, conforme a legislação estadual citada no
levantamento.
O depoimento de Mauro demonstra que a escola ultrapassava
sua função educacional.
Quando chegou à região em 1991, encontrou uma realidade na
qual a escola e a igreja eram os principais pontos de encontro dos moradores.
Segundo ele, a unidade escolar também concentrava atividades
relacionadas ao atendimento de saúde, à distribuição de leite, ao serviço
postal, à comunicação e ao atendimento policial.
Era um espaço que reunia diferentes necessidades da
comunidade.
Mauro também recordou que, durante determinado período, a
escola possuía uma quadra descoberta, utilizada para campeonatos e atividades
esportivas nos finais de semana.
A abertura do espaço para a comunidade contribuía para
fortalecer a convivência e preservar o patrimônio escolar.
Com o passar dos anos, outras unidades educacionais foram
implantadas, ampliando o atendimento às crianças e aos jovens.
Entre as instituições mencionadas estão a Escola Franco
Montoro, a Marcelena, a unidade de educação infantil e a atual sede da Marechal
do Ar.
A ampliação da rede escolar representou uma conquista
importante para as famílias, reduzindo a necessidade de deslocamentos e
fortalecendo a identidade dos bairros.
A SAÚDE E A AMPLIAÇÃO DOS SERVIÇOS PÚBLICOS
A saúde também acompanhou o processo de crescimento
populacional.
Um registro importante aparece na Lei Municipal nº 1.319, de
29 de setembro de 1982, que autorizou a celebração de convênio para a
instalação de um posto de atendimento sanitário no Parque dos Pinheiros.
Nos relatos dos moradores, o atendimento inicial aparece
associado a estruturas bastante simples, inclusive instalações de madeira.
Com o crescimento da população, surgiram novas demandas e a
necessidade de ampliar os serviços.
Mauro recordou que o atendimento de saúde chegou a funcionar
em espaços relacionados à escola e que, posteriormente, foram construídas
unidades próprias.
O documentário também registra a implantação de postos de
saúde no Parque dos Pinheiros e no Jardim Panorama, além de uma ampliação
posterior dos serviços.
Outro avanço importante foi a implantação de um dispensário
municipal de medicamentos no Parque dos Pinheiros, inaugurado em setembro de
2022, com atendimento destinado também aos moradores do Jardim Panorama.
A estrutura representou uma ampliação do acesso aos
medicamentos e uma forma de descentralizar os serviços de assistência
farmacêutica.
Os moradores também destacaram a importância do asfalto para
o atendimento de emergência. Antes da pavimentação, ambulâncias enfrentavam
dificuldades para chegar às residências, especialmente em dias de chuva.
Com as melhorias nas vias, tornou-se possível ampliar o
acesso dos veículos de emergência às casas.
O COMÉRCIO LOCAL E OS PRIMEIROS EMPREENDEDORES
A história do comércio é parte essencial da formação dos
bairros.
Nos primeiros anos, a quantidade de estabelecimentos era
muito pequena. Os moradores dependiam de poucos comerciantes para adquirir
alimentos e produtos de necessidade diária.
Antônio Cuisse recordou que, quando o empreendimento começou
a ganhar ocupação, o comércio era extremamente reduzido. Ele próprio participou
dessa fase, contribuindo para o atendimento das primeiras famílias.
Posteriormente, outros estabelecimentos surgiram,
acompanhando o aumento da população.
O depoimento de Neto é especialmente significativo porque
recupera a trajetória de um comerciante que acompanhou diferentes etapas do
desenvolvimento local.
Ele chegou ao bairro em 1992 e iniciou sua atividade
comercial com um açougue conhecido como Casa de Caneto.
Segundo seu relato, naquela época os recursos eram limitados
e o trabalho era realizado com equipamentos bastante simples.
Posteriormente, estabeleceu o Bar do Neto, que também passou
a integrar a memória comercial da comunidade.
Com o tempo, o ponto foi destinado a outras atividades, e
atualmente funciona no local um serviço de Pag Contas associado a um brechó,
mantido por sua esposa.
Neto destacou a importância desse tipo de serviço para os
moradores, especialmente idosos que dependem de transporte coletivo para
realizar pagamentos e resolver questões bancárias em outras cidades.
Sua história representa a trajetória de pequenos
empreendedores que começaram com poucos recursos e construíram suas atividades
junto com o crescimento dos bairros.
Os depoimentos também mencionam comerciantes como Cido,
Pedrinho, Santa Luzia, Souza, Laércio e Wagner.
Esses estabelecimentos contribuíram para atender as
necessidades cotidianas das famílias.
Clóvis recordou as mudanças do Mercado Souza, que passou por
diferentes pontos de funcionamento, acompanhando o desenvolvimento comercial da
região.
Na etapa mais recente, os moradores passaram a contar com
mercados maiores e uma variedade de estabelecimentos comerciais.
Também foram mencionados serviços de farmácia, alimentação,
pequenos negócios e outras atividades que ampliaram a autonomia dos bairros.
O comércio, portanto, não representa apenas uma atividade
econômica. Ele constitui parte da memória social, pois os estabelecimentos
também funcionaram como pontos de encontro, convivência e relacionamento entre
os moradores.
AS IGREJAS E A FORMAÇÃO DA IDENTIDADE RELIGIOSA
A religiosidade também ocupa um lugar importante na história
do Parque dos Pinheiros e do Jardim Panorama.
Nos primeiros anos, as igrejas e capelas funcionavam como
espaços de encontro, acolhimento e organização comunitária.
Os relatos de moradores demonstram que, com o crescimento
populacional, diferentes denominações religiosas passaram a estabelecer suas
atividades nos bairros.
Seu Clóvis, que chegou em 1990, destacou a importância das
instituições religiosas na formação dos vínculos sociais.
Segundo ele, a ampliação das igrejas contribuiu para
oferecer espaços de convivência, apoio espiritual e participação comunitária.
O documentário registra aproximadamente vinte igrejas entre
os dois bairros, além de apresentar diferentes denominações.
Entre elas estão a Paróquia Nossa Senhora Aparecida, a
Assembleia de Deus – Ministério Presidente Prudente, a Igreja Sinais de Deus, a
Assembleia de Deus Madureira Brás, a Igreja Cristo Verdade que Liberta, a
Igreja do Evangelho Quadrangular, a Congregação Cristã no Brasil – Jardim
Panorama, a Congregação Cristã no Brasil – Parque dos Pinheiros, a Assembleia
de Deus Viva, a Igreja Pentecostal Deus é Amor, a Igreja Tabernáculo da Fé, a
Igreja Presbiteriana do Brasil, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, a Assembleia
de Deus Semeando Paz, a Igreja Batista Família Reviver, a Igreja Internacional
da Graça de Deus, a Assembleia de Deus Ministério Belém, a Igreja Evangélica
Templo de Adoração e a Igreja Avivamento Bíblico.
A diversidade religiosa demonstra como os espaços de fé
passaram a integrar a organização social dos bairros.
O registro dessa trajetória é importante porque a história
comunitária também é construída pelas instituições que promovem acolhimento,
solidariedade e convivência.
A CULTURA, A MÚSICA E OS PROJETOS SOCIAIS
O desenvolvimento dos bairros não ocorreu apenas por meio
das construções e da infraestrutura. A cultura também passou a desempenhar um
papel importante na formação das novas gerações.
Um dos exemplos mais expressivos é a Banda Musical Onze de
Julho, cujo projeto teve início no ano 2000.
Em entrevista, Odair relatou que foi convidado para
desenvolver uma atividade cultural no Parque dos Pinheiros, em um período no
qual a comunidade ainda apresentava poucas opções de entretenimento.
O trabalho começou com uma fanfarra e, gradualmente, foi
ampliado com a aquisição de instrumentos e a formação de uma banda musical.
Entre os instrumentos utilizados estão trompetes, trombones,
bombardinos, tubas e saxofones, além da formação de corpo coreográfico e linha
de frente.
Segundo o entrevistado, mais de dois mil alunos já passaram
pelo projeto ao longo de seus 26 anos de atividades.
A banda também participou de festivais, concursos,
apresentações em outras cidades e eventos internacionais. Foram relatadas mais
de 300 apresentações e a conquista de diversos títulos.
Entretanto, sua importância não está apenas nas
apresentações.
O projeto ofereceu oportunidades de aprendizagem,
disciplina, convivência e desenvolvimento pessoal para crianças e adolescentes.
Odair destacou que muitos alunos que começaram ainda
crianças permaneceram vinculados à banda, alguns deles retornando
posteriormente como instrutores e colaboradores, enquanto seus próprios filhos
passaram a participar.
Essa continuidade demonstra a formação de vínculos entre
diferentes gerações.
O entrevistado também ressaltou a contribuição da música
para oferecer alternativas de lazer e participação social aos jovens.
Além da banda, foram mencionadas iniciativas como atividades
esportivas, karatê, futebol e o Projeto Guri.
Essas experiências demonstram que a construção de uma
comunidade envolve também oportunidades de educação, cultura e desenvolvimento
humano.
O ESPORTE E OS ESPAÇOS DE CONVIVÊNCIA
O futebol também aparece de maneira recorrente nas
lembranças dos moradores.
Antes da implantação de espaços esportivos estruturados, as
crianças e os jovens utilizavam terrenos disponíveis para organizar pequenas
partidas.
Mauro recordou a existência de equipes que movimentavam a
comunidade, destacando o Marajá e o Flamenguim entre os times conhecidos.
Com a implantação do campo de futebol, os torneios passaram
a reunir diferentes equipes e moradores.
Em 1º de abril de 1996, a Lei Municipal nº 2.002 estabeleceu
a denominação Estádio Municipal Gerson Corrêa para o campo localizado na região
dos bairros.
O espaço passou a representar um importante ponto de
encontro para atividades esportivas e de lazer.
Além do futebol, a realização de festivais, apresentações
culturais e eventos comunitários contribuiu para fortalecer a convivência entre
as famílias.
A PARTICIPAÇÃO DOS MORADORES E AS REIVINDICAÇÕES POR
MELHORIAS
Uma das características mais importantes da história dos
bairros foi a mobilização dos próprios moradores.
A ausência de infraestrutura provocou reivindicações por
água, energia elétrica, iluminação pública, transporte, pavimentação, coleta de
lixo e atendimento de saúde.
Mauro recordou a atuação da associação de moradores,
destacando que a organização comunitária foi fundamental para cobrar melhorias.
Clóvis também relatou a participação das mulheres, que
procuravam os meios de comunicação para reivindicar serviços e chamar a atenção
das autoridades.
Segundo ele, a Rádio Comercial era utilizada como canal para
apresentar os problemas da comunidade, especialmente as dificuldades
relacionadas à falta de abastecimento de água.
Essas lembranças mostram a importância da comunicação
comunitária como instrumento de mobilização social.
A participação política também aparece nos registros
históricos do documentário.
Ao longo das décadas, moradores ligados aos bairros ocuparam
cargos no Legislativo Municipal, contribuindo para ampliar a representação
dessas comunidades.
Entre os nomes mencionados estão Cícero Lacerda da Silva,
João Gibi, Carlos José Ribeiro, Lenice Messias dos Santos Ribeiro e Joel Nunes
de Almeida.
Também se registra a trajetória de Roger Fernandes Gasques,
morador do Parque dos Pinheiros, que assumiu a Prefeitura em 2019 e foi eleito
prefeito para o mandato iniciado em 2021.
Essas informações demonstram que a história dos bairros
também se relaciona à participação de seus moradores na vida pública de Álvares
Machado.
A PAVIMENTAÇÃO E A TRANSFORMAÇÃO DAS RUAS
A transformação das ruas representa uma das mudanças mais
visíveis na paisagem dos bairros.
Durante muitos anos, diversas vias permaneceram sem
pavimentação.
Em períodos de chuva, os moradores enfrentavam lama,
buracos, erosões e dificuldades de circulação.
Clóvis recordou que, no início da década de 1990, a
manutenção das estradas de terra não era suficiente para garantir boas
condições de tráfego.
Segundo seu depoimento, o asfalto começou a chegar à região
no final de 1991, especialmente na linha utilizada pelo transporte coletivo.
Mauro, por sua vez, recordou que a Rua Junqueira Freire
recebeu pavimentação aproximadamente em 1999.
Essas informações mostram que o processo ocorreu
gradualmente, em diferentes etapas e períodos.
O documentário apresenta fotografias antigas e atuais de
diferentes ruas, permitindo observar as mudanças ocorridas na infraestrutura.
No Jardim Panorama, foram registradas comparações de locais
como Rua Júlio Ribeiro, Rua Inglês de Sousa, Avenida Vinícius de Moraes,
Avenida Castro Alves, Rua Clóvis B. Vilácoa, Rua Manoel Bandeira, Rua Coelho
Neto, Rua Evaristo da Veiga, Rua Silva Ramos, Rua Souza Caldas e Rua Visconde
Taunay, além da Rua Graça Aranha.
No Parque dos Pinheiros, as imagens destacam a Avenida
Vinícius de Moraes, a Avenida José de Alencar, a Rua Joaquim Serra e a Rua
Junqueira Freire, além da Rua Martins Pena.
As fotografias foram disponibilizadas por colaboradores,
entre eles o ex-vereador Carlos José Ribeiro, o presidente da Câmara Municipal
Joel Nunes de Almeida, Mauro Rigonato e Pedro Alves Pereira Santana.
Os registros mostram que algumas ruas receberam pavimentação
em períodos anteriores a 2022.
Posteriormente, a partir de 2022, novas intervenções
ampliaram a pavimentação, e as imagens atuais permitem observar o resultado
dessas transformações.
Durante a gestão municipal de Roger Fernandes Gasques, entre
2021 e 2024, foram registradas intervenções importantes, incluindo a conclusão
da pavimentação das ruas dos bairros e a construção de uma ciclovia no Parque
dos Pinheiros, conforme o levantamento apresentado no documentário.
É importante reconhecer que a infraestrutura foi construída
ao longo de diferentes períodos e administrações municipais, resultado de um
processo contínuo de reivindicações e investimentos.
A ÁREA DE SAÚDE, O CENTRO DE APOIO AO IDOSO E OS NOVOS
EQUIPAMENTOS
A expansão dos serviços públicos acompanhou o crescimento
das residências e da população.
Um exemplo dessa transformação pode ser observado na Rua
Joaquim Serra, no Parque dos Pinheiros.
Segundo Mauro, o local onde atualmente funciona o Centro de
Apoio ao Idoso era anteriormente um terreno baldio.
O mesmo tipo de transformação pode ser observado em outros
espaços que passaram a receber equipamentos públicos e estruturas de
atendimento.
O novo posto de saúde e o dispensário municipal de
medicamentos representam parte desse processo de ampliação dos serviços.
Essas mudanças demonstram que espaços anteriormente vazios
ou pouco utilizados passaram a desempenhar funções importantes para o
atendimento da população.
A comparação entre fotografias antigas e atuais permite
compreender como o crescimento urbano modificou não apenas as ruas, mas também
o uso dos terrenos e a organização dos espaços comunitários.
A EVOLUÇÃO POPULACIONAL E A DIMENSÃO ATUAL DOS BAIRROS
O crescimento populacional foi um dos fatores responsáveis
pela ampliação das demandas por serviços públicos e infraestrutura.
Durante a pesquisa, foram solicitadas informações oficiais à
Prefeitura Municipal de Álvares Machado.
Em resposta ao requerimento protocolado em 25 de junho de
2026, o município encaminhou o Ofício nº 14/2026, datado de 13 de julho de
2026, contendo estimativas populacionais para os três bairros.
Segundo os dados apresentados, o Parque dos Pinheiros I
possui população estimada de 1.819 habitantes, o Parque dos Pinheiros II possui
475 habitantes e o Jardim Panorama possui 2.578 habitantes. Juntos, os três
bairros totalizam uma estimativa de 4.872 habitantes.
A estimativa foi elaborada com base nos imóveis residenciais
cadastrados pela Divisão de Tributação, utilizando o critério de 2,76 moradores
por residência.
A Prefeitura esclareceu que os números são estimativas
técnicas e não correspondem a uma contagem censitária realizada diretamente nos
bairros.
O documentário também apresenta dados eleitorais da 182ª
Zona Eleitoral relacionados à EMEIF Márcia Helena Fernandes de Araújo, que
registra 3.960 eleitores aptos.
É necessário diferenciar os dois indicadores: a estimativa
populacional considera os moradores, enquanto o registro eleitoral contabiliza
pessoas aptas a votar.
Esses números ajudam a compreender a dimensão das
comunidades e sua importância dentro do município.
O DESENVOLVIMENTO REGIONAL E AS PERSPECTIVAS FUTURAS
A expansão urbana observada no Parque dos Pinheiros e no
Jardim Panorama também está relacionada ao surgimento de novos empreendimentos
nas áreas próximas.
Os depoimentos mencionam o crescimento de loteamentos e
conjuntos habitacionais no entorno, além da presença de instituições de ensino
e novas possibilidades de ocupação territorial.
Antônio Cuisse relatou a existência de áreas que ainda
poderão receber novos empreendimentos habitacionais, demonstrando que a região
continua despertando interesse para a expansão urbana.
Durante a entrevista, também foi mencionada a necessidade de
melhorias em acessos rodoviários, especialmente em relação à circulação na
região da estrada do quilômetro 44.
Essas observações representam perspectivas apresentadas pelo
entrevistado, não devendo ser confundidas com obras já executadas ou projetos
oficialmente aprovados.
O crescimento futuro exigirá planejamento urbano,
mobilidade, preservação ambiental, ampliação dos serviços públicos e atenção às
necessidades das famílias que já residem nos bairros.
A IMPORTÂNCIA DA MEMÓRIA E DOS DEPOIMENTOS DOS MORADORES
Um dos principais resultados desta pesquisa foi perceber que
a história dos bairros não está concentrada em uma única pessoa ou instituição.
Ela está distribuída nas lembranças de diferentes gerações.
Antônio Cuisse representa a memória da implantação dos
loteamentos e da formação dos empreendimentos.
José Lopes preserva a lembrança material dos primeiros
poços, por meio do sarilho construído e utilizado em 1987.
Mauro recupera a história da escola, das dificuldades de
infraestrutura, dos espaços esportivos e da organização comunitária.
Clóvis apresenta as lembranças dos primeiros anos de
ocupação, do transporte coletivo, das reivindicações por melhorias e da
transformação da Área Verde.
Irmã Lourdes, que chegou ao bairro em 1993, descreve uma
realidade marcada por poucas casas, terrenos vazios, comércio reduzido e
dificuldades de atendimento público. Sua comparação com o presente demonstra a
dimensão do crescimento ocorrido.
Epaminondas Duarte Lima Neto registra a história do
comércio, desde a Casa de Caneto e o Bar do Neto até os serviços que atualmente
atendem a população.
Dona Maria contribui com a memória da formação rural e das
famílias que antecederam a expansão urbana.
Renato Nizobi preserva a história da fotografia, das
tradições familiares e das transformações tecnológicas que modificaram a
maneira de registrar acontecimentos.
Odair apresenta a trajetória da Banda Musical Onze de Julho
e a importância dos projetos culturais para a formação dos jovens.
Outros depoimentos e registros complementam essas
narrativas, demonstrando que a memória coletiva é construída por diferentes
experiências.
Cada entrevistado apresenta uma perspectiva particular.
Algumas lembranças possuem datas aproximadas, outras são acompanhadas de
documentos e fotografias. Por isso, a pesquisa procurou respeitar as
informações de cada fonte, sem transformar lembranças individuais em afirmações
históricas absolutas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A história do Parque dos Pinheiros I, Parque dos Pinheiros
II e Jardim Panorama revela uma trajetória de transformação marcada pela
perseverança das famílias, pela organização comunitária e pela ampliação
gradual da infraestrutura urbana.
O que inicialmente representava uma região com poucas
residências, terrenos vazios, ruas de terra e serviços limitados tornou-se uma
comunidade com milhares de moradores, estabelecimentos comerciais, escolas,
unidades de saúde, instituições religiosas e projetos culturais.
As dificuldades enfrentadas pelas primeiras famílias
demonstram que o desenvolvimento urbano não acontece de maneira automática. Ele
exige participação social, planejamento, investimentos e, principalmente, o
envolvimento das pessoas que vivem no território.
O Jardim Panorama possui uma trajetória particular,
especialmente pela história da antiga Área Verde, pelas famílias que viveram
naquela região e pelas transformações ambientais e habitacionais que ocorreram
ao longo das décadas.
O Parque dos Pinheiros, por sua vez, apresenta uma história
diretamente relacionada à implantação dos primeiros loteamentos, ao
desenvolvimento do comércio, à expansão das escolas, à construção de
equipamentos públicos e à formação de projetos culturais que alcançaram
diferentes gerações.
Entretanto, os dois bairros compartilham uma história
profundamente conectada. Suas conquistas, dificuldades e transformações fazem
parte de um mesmo processo de formação comunitária.
O projeto Túnel do Tempo: Relembrando Histórias do Seu
Bairro procurou demonstrar que preservar a memória local é também reconhecer a
importância de pessoas que, muitas vezes, não aparecem nos registros oficiais,
mas que participaram diretamente da construção da comunidade.
As fotografias antigas mostram como eram as ruas. Os
documentos ajudam a identificar as decisões administrativas. As pesquisas
acadêmicas contextualizam a expansão territorial. Mas são os depoimentos que
permitem compreender como as transformações foram vividas pelas famílias.
A produção do documentário e deste artigo representa,
portanto, uma contribuição educativa, cultural e social para Álvares Machado.
Mais do que recordar o passado, o objetivo é permitir que as
novas gerações conheçam as dificuldades enfrentadas, reconheçam as conquistas
alcançadas e compreendam que a história dos bairros continua sendo construída
diariamente.
O Parque dos Pinheiros e o Jardim Panorama não são apenas
lugares onde as pessoas moram. São comunidades construídas por histórias,
famílias, trabalho, sonhos e conquistas. Preservar essa trajetória é garantir
que as próximas gerações saibam de onde vieram e reconheçam o valor daqueles
que ajudaram a construir o lugar que hoje chamam de lar.

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